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Células-tronco colocam Obama em rota de colisão com o papa

Líderes do Vaticano e da Igreja nos EUA e na Itália criticaram a decisão do presidente de liberar as pesquisas

Philip Ullella, Reuters

10 de março de 2009 | 10h34

O presidente dos EUA, Barack Obama, entrou em rota de colisão com o papa Bento XVI e com a Igreja Católica norte-americana ao suspender nesta semana as restrições ao uso de verbas federais para pesquisas com células-tronco embrionárias.   Veja também: Vaticano condena liberação de pesquisas com células-tronco  Obama suspende restrições a estudo com células-tronco  Decisão sobre células-tronco será mundial, diz geneticista  Entenda o uso das células-troncoLíderes do Vaticano e da Igreja nos EUA e na Itália criticaram a decisão, assinada na segunda-feira, 9. Um comentarista disse que o teste de "uma real democracia" é sua defesa dos mais indefesos. A medida assinada por Obama reverte e repudia as restrições adotadas por seu antecessor, George W. Bush, e permite que laboratórios de todo o país comecem a trabalhar com esse tipo de células-tronco, espécie de "manual de instruções" capaz de dar origem a qualquer tipo de tecido ou órgão. Os cientistas esperam que as pesquisas levem à cura de diversas doenças degenerativas, e dizem que as pesquisas com células embrionárias são mais promissoras, embora tenha havido recentes avanços no uso de células adultas. Já os grupos religiosos se opõem ao uso de embriões por considerar isso uma forma de aborto. Os defensores da prática dizem que os embriões usados, que sobram em clínicas de fertilização, seriam descartados de qualquer maneira. O cardeal Justin Rigali, presidente do comitê de atividades pró-vida da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, qualificou a decisão de Obama como "uma triste vitória da política sobre a ciência e a ética". "Esta ação é moralmente errada porque encoraja a destruição de vida humana inocente, tratando seres humanos vulneráveis como meros produtos a serem colhidos", acrescentou. Um artigo na terça-feira no jornal L'Osservatore Romano, porta-voz extraoficial do Vaticano, disse que "uma real democracia" deveria se fundamentar na proteção da dignidade humana em todas as fases da sua existência. Monsenhor Elio Sgreccia, importante especialista em bioética do Vaticano, disse à imprensa italiana que "o motivo para esta decisão deve ser visto sob a pressão dos lucros". Depois da suspensão da proibição na segunda-feira, 9, as ações de empresas norte-americanas que fazem pesquisas com células-tronco dispararam. Os pesquisadores dizem que as empresas que tinham medo de sondar o terreno provavelmente se adiantarão agora que há verbas federais disponíveis. O tema deve ser um dos assuntos tratados no primeiro encontro do papa Bento XVI com Obama, que deve ocorrer em julho, quando o presidente for à Itália para a cúpula do G8. Em 2001, o falecido papa João Paulo II pediu a Bush que não permitisse pesquisas com células-tronco embrionárias. No ano passado, um documento do Vaticano sobre bioética disse que o embrião humano tem "desde o princípio a dignidade própria a uma pessoa".

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