Chefe do Banco Mundial pede fim da pobreza extrema até 2030

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, pediu nesta terça-feira um compromisso da comunidade internacional para acabar com a pobreza extrema até 2030 e melhorar a vida das pessoas mais vulneráveis que vivem em países em desenvolvimento.

LESLEY WROUGHTON, Reuters

02 de abril de 2013 | 15h03

Para alcançar esse objetivo, Kim disse que o mundo teria de reduzir o número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza de 1,25 dólar por dia para 3 por cento mundialmente até 2030, e aumentar a renda per capita dos 40 por cento de renda inferior de cada país em desenvolvimento.

O objetivo de 3 por cento marca uma nova meta para o Banco Mundial, que estimou em 2010 que 21 por cento da população global, ou 1,2 bilhão de pessoas, vivia na extrema pobreza.

A meta ajudaria o Banco Mundial a priorizar projetos de desenvolvimento que têm o maior impacto sobre os mais pobres e reduzir a desigualdade, disse Kim.

"Agora é o momento de se comprometer a acabar com a pobreza extrema", disse ele em um discurso antes de reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em 19 e 20 de abril, em Washington.

"Estamos em um momento auspicioso na história, quando os sucessos de décadas passadas e uma perspectiva econômica cada vez mais favorável se combinam para dar aos países em desenvolvimento uma chance --pela primeira vez-- para acabar com a pobreza extrema dentro de uma geração", acrescentou.

O Conselho do Banco Mundial irá considerar uma nova estratégia para a Índia na próxima semana, que tinha como objetivo reduzir a pobreza em um adicional de 300 milhões ao longo dos próximos anos. Estima-se que 50 milhões de pessoas saíram da pobreza na Índia nos últimos cinco anos.

Economistas calculam que a taxa de pobreza do mundo em desenvolvimento em 2012 era de cerca de 19 por cento, o que representa em torno de 1,1 bilhão de pessoas. Isso está abaixo dos 21 por cento em 2010, ou cerca de 1,2 bilhão de pessoas. A taxa de pobreza global vem caindo em cerca de 1 ponto percentual ao ano de 1981 a 2010, de acordo com dados do Banco Mundial.

A ascensão de países como a China, Índia e Brasil tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, de acordo com o Banco Mundial e os Estados Unidos.

Mas a maior parte do sucesso na redução da pobreza tem sido na China, enquanto regiões como o Sul da Ásia e a África Subsaariana ainda lutam com altos níveis de pobreza. Países frágeis, como o Afeganistão, também estão ainda atolados na pobreza.

Líderes mundiais tem cobrado o fim da pobreza extrema, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, e a nova líder do Malaui, Joyce Banda.

A presidente Dilma Rousseff disse no mês passado que o Brasil estava perto de erradicar a extrema pobreza por meio do programa Bolsa Família, que está sendo replicado em outros países.

O foco em metas de pobreza surge no momento em que um painel de alto nível está trabalhando em um novo quadro de desenvolvimento global que olha além das Metas de Desenvolvimento do Milênio de 2015, de reduzir pela metade a pobreza global e a fome.

Kim disse que o crescimento econômico é importante, mas não o suficiente para reduzir a pobreza e diminuir a diferença crescente entre ricos e pobres. Novos desafios de desenvolvimento como as alterações climáticas ameaçam a sobrevivência de milhões de pessoas pobres, advertiu ele.

Para alcançar a meta de 2030, disse Kim, as regiões mais pobres, como o Sul da Ásia e a África Subsaariana precisam de taxas altas sustentadas de crescimento e maior criação de emprego. O objetivo também depende de evitar choques econômicos, tais como aumentos nos preços de alimentos e combustíveis.

Tudo o que sabemos sobre:
EUABANCOMUNDIALEXTREMAPOBREZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.