Theron Kirkman/Efe
Theron Kirkman/Efe

Chefe do Pentágono alerta para conclusões precipitadas em escândalo

Leon Panetta, secretário de Defesa dos EUA, defendeu decisão de submeter caso ao inspetor-geral do Pentágono

Reuters

14 de novembro de 2012 | 09h43

PERTH, AUSTRÁLIA - O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, alertou nesta quarta-feira, 14, contra as conclusões precipitadas a respeito de um general do alto escalão que está sob investigação num escândalo que já derrubou o diretor da CIA. John Allen, principal comandante das forças dos EUA no Afeganistão, nega qualquer irregularidade nos seus contatos com uma mulher que está no centro do escândalo.

Panetta defendeu a decisão de submeter o caso ao inspetor-geral do Pentágono e suspender a nomeação de Allen para outro cargo importante nas Forças Armadas. Ele alegou que essa foi uma medida prudente "até que determinemos quais são os fatos". Por outro lado, o secretário elogiou a atuação de Allen no Afeganistão, independentemente do resultado do inquérito.

"Ninguém deve saltar para nenhuma conclusão aqui. O general Allen está fazendo um excelente trabalho na Isaf (Força Internacional no Afeganistão), em comandar aquelas forças", disse Panetta durante visita à Austrália.

O escândalo começou quando uma socialite da Flórida, Jill Kelley, de 37 anos, denunciou estar recebendo emails intimidatórios de outra mulher, Paula Broadwell. Uma investigação do FBI sobre o caso revelou que Broadwell era amante do general David Petraeus, que por causa disso renunciou na sexta-feira ao cargo de diretor da CIA. No curso da investigação, descobriu-se que Kelley e Allen trocaram nos últimos dois anos entre 20 e 30 mil páginas de emails e outros tipos de comunicações, que foram entregues no domingo ao Departamento de Defesa.

Mas fontes próximas a Petraeus disseram que nem ele nem Allen tinham um relacionamento amoroso com Kelley, que atuava em ações sociais junto a militares na Flórida. Segundo fontes ligadas à investigação, o FBI decidiu analisar o caso porque as mensagens entre Allen e Kelley abordavam informações sobre as atividades do chefe da CIA que não estavam disponíveis publicamente.

Um funcionário disse, no entanto, que o número real de contatos entre Allen e Kelley pode ser bem inferior ao que sugerem as mais de 20 mil páginas, porque o material impresso inclui mensagens envolvendo outras pessoas e a repetição das conversas a cada email respondido.

Os investigadores disseram que muitas mensagens tinham tom de "flerte", mas funcionários disseram, sob anonimato, que Allen negou ter tido um relacionamento extraconjugal com a mulher. O adultério pode resultar em dispensa desonrosa das Forças Armadas dos EUA.

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