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Chegou a hora de iraquianos assumirem o comando, diz Obama

Após giro pela Europa, presidente americano faz viagem surpresa ao Iraque e visita soldados em missão no país

Agências internacionais,

07 de abril de 2009 | 15h14

Recebido calorosamente pelas tropas americanas, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou durante a visita surpresa no Iraque que está na hora dos iraquianos "assumirem a responsabilidade pelo seu país" após o compromisso americano de mais de seis anos no conflito. "Vocês deram ao Iraque a oportunidade de se erguer como um país democrático através de seus próprios esforços", afirmou Obama durante uma rápida inspeção dos soldados. "Essa é uma conquista extraordinária".

 

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A viagem ocorre no fechamento de uma extensa viagem ao exterior que levou Obama à cúpula do Grupo dos 20 (G-20, que reúne as nações mais industrializadas e as principais potências emergentes do mundo) em Londres, à reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na França e na Alemanha e também à Turquia. Pouco antes de deixar a Turquia, o presidente americano destacou o Iraque como um exemplo de mudança que eles busca realizar nas políticas herdadas de George W. Bush.

 

No total, 4.265 soldados americanos morreram na missão americana no Iraque desde 2003, e Obama afirmou que as tropas fizeram uma "performance brilhante... Sob um esforço enorme". "Agora é hora de fazermos a transição para os iraquianos", afirmou o presidente diante de cerca de 600 militares. "Eles precisam assumir a responsabilidade pelo seu país". Durante a campanha presidencial, Obama declarou-se contrário à guerra no Iraque e prometeu retirar as tropas americanas do país.

 

Obama ainda se encontrou com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e garantiu que todos os progressos conquistados no país serão mantidos. O presidente disse que "encorajou fortemente" o líder iraquiano a seguir os passos da união de facções políticas, incluindo a integração de sunitas ao governo. Obama disse esperar que sua viagem ajude as facções iraquianas a alcançarem soluções "justas e imparciais" para os problemas que podem acontecer antes das eleições deste ano.

 

Obama desembarcou no Iraque horas depois de a explosão de um carro-bomba num bairro xiita de Bagdá ter deixado nove mortos e 18 feridos. Durante sua breve estada no Iraque Obama ainda se reuniu com o general Raymond Odierno, comandante das forças dos EUA no país. No encontro com as tropas, Obama foi interrompido diversas vezes pelos soldados animados com a visita. "Te amo", afirmou um dos presentes no encontro. "Eu também te amo", afirmou Obama, comandante-em-chefe das Forças Armadas americanas. Ele ainda abraçou os soldados, tirou fotos e gravou um vídeo.

 

Robert Gibbs, secretário de Imprensa da Casa Branca, disse a jornalistas que o Iraque foi escolhido em detrimento do Afeganistão por ficar mais próximo de Istambul e porque os soldados que lutam a guerra que Obama pretende acabar são tão importantes quanto os que lutam contra o Taleban e a Al-Qaeda em solo afegão.

 

Falando a jornalistas, Obama disse que foi a Iraque para se encontrar pessoalmente com as tropas norte-americanas e líderes locais e para ter uma melhor percepção da segurança. "Passamos bastante tempo tentando resolver o Afeganistão, mas há muito trabalho a ser feito aqui", afirmou, acrescentando que um dos principais motivos da viajem era agradecer as tropas. "Eles estão fazendo um trabalho extraordinário. O general Odierno tem ajudado a liderar uma operação muito efetiva aqui", acrescentou Obama, citando o general Ray Odierno, principal comandante do EUA no Iraque, que estava a seu lado.

 

Menos de três meses depois de chegar à Presidência, Obama quer deixar claro para os comandantes americanos que compartilha as preocupações deles em conservar os ganhos conquistados na segurança e assegurar que as tropas não se sintam esquecidas, à medida que seu número é reduzido no Iraque. A guerra e a insurgência sectária desencadeada pela invasão liderada pelos EUA em 2003 tiveram um recuo dramático no último ano, mas as forças de segurança iraquianas ainda enfrentam desafios tremendos enquanto assumem as operações militares e de policiamento antes realizadas pelos EUA.

 

A redução das tropas americanas no Iraque vai ajudar Obama a elevar o número de soldados no Afeganistão, para enfrentar o agravamento da violência nesse país. Obama acusa Bush de ter sido demasiado fixado no Iraque para focar a luta mais crucial contra a militância islâmica no Afeganistão. Apesar da mudança nas prioridades, Obama escolheu o Iraque em lugar do Afeganistão para sua primeira visita a uma zona de guerra na condição de comandante-em-chefe. A decisão foi facilitada pelo fato de ele já se encontrar na vizinha Turquia.

 

Com o cronograma da retirada já determinado, a visita de Obama teve por objetivo lhe dar uma visão em primeira mão de como sua estratégia de retirada está funcionando em campo. Obama já deixou claro também que vai pressionar o governo de Maliki para cumprir sua parte do trato, desde ampliar suas forças de segurança até implementar mais reformas políticas.

 

Pelo plano de Obama, os aproximadamente 140 mil soldados americanos que estão no Iraque hoje serão reduzidos para entre 35 mil e 50 mil -- número ainda visto como grande demais pelos críticos da guerra -- até o prazo de 2010. A missão das tropas remanescentes será redefinida, passando a ser principalmente ajudar a treinar forças iraquianas. Mas essas tropas remanescentes também terão que deixar o Iraque até o final de 2011.

 

Analistas disseram que, à diferença de Bush -- visto por muitos iraquianos como culpado pela morte de dezenas de milhares de pessoas após a invasão, embora alguns reconheçam sua gratidão pela queda de Saddam Hussein --, Obama será bem recebido pelos iraquianos. "Desta vez não haverá sapatos jogados, com certeza", disse o analista Hazem al Nuaimi, referindo-se ao jornalista iraquiano que atirou seus sapatos contra Bush na última visita feita pelo então presidente norte-americano ao Iraque, em dezembro do ano passado.

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