Cheney declara 'profundo interesse' por aliados no Cáucaso

O vice-presidente dos EUA,Dick Cheney, disse na quarta-feira que seu país tem um"profundo e constante interesse" pela segurança de seus aliadosno Cáucaso. No mesmo dia, a Rússia disse que o apoio deWashington à Geórgia está desestabilizando a região. Também na quarta-feira, os EUA anunciaram um pacote de 1bilhão de dólares para a reconstrução da economia e dainfra-estrutura da Geórgia depois da guerra do mês passadocontra a Rússia pelo controle da Ossétia do Sul. Em visita ao Azerbaijão, Cheney disse que os EUA devemtrabalhar com ex-repúblicas soviéticas produtoras de petróleopara criar rotas adicionais de exportação de energia para osmercados ocidentais. Em sua viagem, Cheney vai passar também por Geórgia eUcrânia, aparentemente sinalizando a Moscou que os EUA nãoderam as costas para seus aliados depois do conflito de agosto. "Nós nos reunimos esta noite à sombra da recente invasãorussa da Geórgia", disse Cheney a jornalistas ao lado dopresidente azeri, Ilham Aliyev, na residência oficial dele, comvista para o mar Cáspio. Cheney é o mais importante funcionáriodos EUA a visitar o Azerbaijão desde a independência do país. "O presidente [George W.] Bush me mandou aqui com umamensagem clara e simples para o povo do Azebaijão e de todaesta região: os Estados Unidos têm um profundo e constanteinteresse no seu bem-estar e segurança." Os EUA querem convencer também as ex-repúblicas soviéticasda Ásia Central a exportarem seu gás e petróleo por dutos quenão passem pela Rússia. Mas a estatal azeri do setor jáanunciou a intenção de recorrer às rotas russas devido ao temorde instabilidade na Geórgia. Além da ajuda de 1 bilhão de dólares dos EUA, o FMI tambémaprovou um empréstimo de 750 milhões de dólares para Tbilisi,segundo autoridades do órgão e da Geórgia. Rejeitando as críticas ocidentais, a Rússia diz que ocupoua Geórgia para proteger a população russa que vive nasrepúblicas separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia, para ondeTbilisi havia enviado tropas. Moscou diz que Washington contribuiu com o conflito ao nãoconter as ambições do presidente georgiano, MikheilSaakashvili. "Precisamos esperar até que o senhor Cheney estejana Geórgia para ver como ele avalia a situação", disse AndreiNesterenko, porta-voz da chancelaria, a jornalistas. "Mas todas essas declarações [dos EUA] para Tbilisi sobre anecessidade de restaurar toda a sua destruída capacidademilitar não promovem de forma alguma a estabilização dasituação na região", acrescentou. O Kremlin disse que o presidente Dmitry Medvedev conversouna quarta-feira com o presidente da França, Nicolas Sarkozy,que negocia em nome da União Européia. Medvedev disse que a UEadota uma posição "em geral equilibrada", mas lamentou que obloco não tenha apontado a Geórgia como iniciadora do conflito. (Reportagem adicional de Lada Yevgrashina, em Baku; GuyFaulconbridge e Oleg Shchedrov, em Moscow; Matt Robinson, emTbilisi)

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