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Cheney defende políticas de Bush e diz que faria tudo de novo

Ex-vice-presidente critica decisão de Obama de proibir técnicas de interrogatório e de fechar Guantánamo

21 de maio de 2009 | 12h54

O ex-vice-presidente americano Dick Cheney defendeu nesta quinta-feira, 21, as políticas de segurança adotadas pelo governo de George W. Bush, afirmando que tomaria as mesmas decisões "sem dúvida". Logo após o discurso do presidente Barack Obama, que considerou as medidas adotadas pelo governo anterior como improvisadas e apressadas, Cheney criticou a política da nova administração contra o terrorismo e defendeu o uso dos métodos de interrogatório que Obama classificou como tortura.

 

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Em um discurso desafiador às políticas de Obama, Cheney afirmou que as decisões tomadas pelo governo Bush para a segurança nacional tornaram o país mais seguro. "Falo como uma pessoa que estava presente em cada dia do governo Bush e apoiou as políticas quando foram tomadas, e sem dúvida voltaria a fazê-lo nas mesmas circunstâncias", afirmou. Cheney disse ainda que a postura de Obama contra o terrorismo, ao banir as táticas de interrogatórios aplicadas nos últimos anos, não é inteligente em termos extremos.

 

Cheney aproveitou ainda para criticar a afirmação do presidente Obama sobre a possibilidade de transferir para os EUA alguns detentos de Guantánamo para prisões de segurança máxima. Segundo o ex-vice-presidente, trazer para o território americano os "piores terroristas" seria um "grande perigo", e a proposta de Obama para acabar com a prisão na base naval em Cuba seria sem planejamento.

 

Cheney disse que as Políticas de Bush implantadas com determinação para que o horror causado pelo 11/09, quando morreram mais de 3 mil pessoas nos atentados, não fosse esquecido. O ex-vice afirmou que sua administração foi dirigida pelo desejo de garantir que o 11/09 não se transformasse "no começo de algo pior".

 

Resposta a Obama

 

Cheney atrasou seu discurso para esperar pelo fim da declaração do presidente Obama. Diante de uma plateia de advogados militares, em um hall do Arquivo Nacional, Obama defendeu sua decisão de fechar a prisão de Guantánamo, qualificando o local como "uma bagunça" e dizendo que não fará nada para ameaçar o povo norte-americano. Segundo Obama, a própria existência da prisão em território cubano compromete a segurança nacional norte-americana e serve como um posto de recrutamento para a rede da Al-Qaeda.

 

Obama argumentou, em discurso nesta quinta-feira, que aproximadamente 500 detentos já foram libertados pela administração George W. Bush. O presidente afirmou que manter a prisão é um revés para a "autoridade moral que é a maior moeda da América no mundo".

 

A Casa Branca disse que alguns dos detentos serão julgados em tribunais federais, mas outros terão seus julgamentos pelo sistema atualizado de comissões militares. Alguns dos prisioneiros, que podem ser transferidos com segurança, serão enviados para terceiros países. Outro grupo, de 24 detentos, representam "desafios especiais", segundo a Casa Branca. Tribunais norte-americanos determinaram que eles fossem soltos, ordem que a administração deve obedecer.

 

Obama assegurou que os prisioneiros que representem perigo para os Estados Unidos não serão libertados e que os que forem enviados para prisões norte-americanas serão mantidos em prisões de alta segurança.

 

O presidente disse que "a questão mais difícil" é o que fazer com os prisioneiros que não podem ser processados, mas representam um claro perigo. Ele disse que essas pessoas podem ser mantidas em "detenção prolongada" que será cuidadosamente avaliada e justificada. "Estamos arrumando algo que é, de forma simples, uma bagunça. Um experimento incorreto que deixou em seu encalço um grande quantidade de desafios legais com os quais minha administração é forçada a lidar de forma permanente e que consome tempo dos funcionários do governo, tempo que deveria ser gasto com a melhor proteção do país", disse Obama.

 

"O problema sobre o que fazer com os detentos de Guantánamo não foi causado pela minha decisão de fechar o local; o problema existe, primeiramente, por causa da decisão de abrir Guantánamo".

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