Cheney pede que a prisão de Guantánamo continue aberta

Vice-presidente dos EUA afirma que defendeu a prática de simulação de afogamento nos interrogatórios

REUTERS

16 de dezembro de 2008 | 09h44

O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, afirmou na segunda-feira, 15, que seria uma irresponsabilidade fechar a prisão militar de Guantánamo enquanto os EUA estiverem envolvidos na chamada "guerra ao terrorismo", e também defendeu a prática de submeter os presos a simulações de afogamento durante os interrogatórios. Em entrevista à ABC News, Cheney afirmou não considerar abusivas as práticas adotadas nos interrogatórios, e defendeu especificamente que tenha sido usada a simulação de afogamento para obter confissões de Khalid Sheikh Mohammed, suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Questionado sobre a data ideal para a desativação da prisão, que funciona desde o final de 2001 numa base naval encravada em Cuba, Cheney afirmou: "Bem, acho que isso viria com o fim da guerra ao terrorismo." "Em guerras anteriores, sempre exercemos o direito de capturar o inimigo e mantê-lo (detido) até o final do conflito", acrescentou. "O mesmo princípio básico deveria ser aplicado aqui em termos do nosso direito de capturar o inimigo e mantê-lo." Ele lembrou que em muitos casos os presos eram recusados por seus países de origem ou por terceiros países. O vice-presidente disse que o presidente George W. Bush e muitas outras pessoas gostariam de fechar a prisão de Guantánamo, mas que antes é preciso cuidar de outras questões. "Isso inclui o que fazer com os prisioneiros mantidos em Guantánamo. E ninguém ainda resolveu esse problema." Os Estados Unidos mantêm cerca de 250 presos em Guantánamo, a maioria sem acusação formal. Outros 250 já foram libertados ou transferidos. Em outra entrevista, ao radialista conservador Rush Limbaugh, Cheney disse que a prisão tem sido "muito bem administrada", e que o governo de Barack Obama, que toma posse em 20 de janeiro, terá dificuldades para desativá-la, apesar de ele ter prometido isso em sua campanha eleitoral. "Uma vez que você sai e captura um bando de terroristas, como fizemos no Afeganistão e em outros lugares, então você tem de colocá-los em algum lugar. Se você os traz aqui para os EUA e os coloca no nosso Judiciário local, então eles terão direito a todos os tipos de direitos que estendemos apenas aos cidadãos norte-americanos. Lembre-se de que são combatentes ilegais", afirmou Cheney. "Guantánamo tem sido valiosíssimo. E acho que (o governo Obama) vai descobrir que tentar fechá-lo será uma proposta duríssima."

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