China e Rússia espionam quase como na Guerra Fria, dizem EUA

A espionagem feita por Rússia eChina contra os Estados Unidos voltou quase aos mesmospatamares da Guerra Fria, disse na terça-feira ao Congresso odiretor de Inteligência Nacional dos EUA, Mike McConnell, quesolicitou uma ampliação por tempo indefinido dos poderes deespionagem das autoridades norte-americanas. A Casa Branca pressiona o Congresso, sob domínio democrata,a ampliar os poderes de espionagem do governo alegando que setrata de uma ferramenta especialmente útil no combate aoterrorismo. "Os serviços de inteligência externa de China e Rússiaestão entre os mais agressivos na coleta [de dados] contrasistemas sensíveis e protegidos dos EUA, [suas] instalações eprojetos de desenvolvimento", disse McConnell em depoimento porescrito à Comissão de Justiça da Câmara. "Os esforços deles estão se aproximando dos níveis daGuerra Fria", acrescentou McConnell, que, abordado após aaudiência, se recusou a entrar em detalhes. Seu porta-voz, Ross Feinstein, disse que o objetivo dodepoimento era enfatizar que a espionagem, autorizada por umalei de 1978, é necessária tanto para a contra-inteligênciatradicional quanto para a prevenção ao terrorismo. Os EUA consideram que China e Rússia, junto com o Irã, sãoos países que mais lhes espionam. Sob o governo de Vladimir Putin, ex-agente da KGB, oaparato russo de inteligência foi reestruturado, retomandoparte do brilho da época soviética. Neste ano, o consultor nacional de contra-inteligência JoelBrenner citou a China como um dos países que buscam vantagenscivis e militares espionando os EUA. Em agosto, parlamentares democratas ajudaram a aprovar umalegislação temporária que prorroga a autoridade do governofederal para espionar conversas de estrangeiros. Mas muitosresistem em conceder tal autorização de forma definitiva semque haja em contrapartida restrições protegendo a privacidadedos norte-americanos que fazem ligações internacionais. A oposição diz que o governo Bush abusou de seu poder aocriar, sem notificar o Congresso, um programa de espionagem semordem judicial, que tem como alvos comunicações internacionaismantidas por pessoas dentro dos EUA com supostos "inimigosestrangeiros". "O poder de invadir a privacidade das pessoas não pode serexercido sem barreiras", disse o deputado democrata JerroldNadler na audiência. O programa de espionagem foi colocado neste ano sobsupervisão judicial, e em agosto o Congresso aprovou suamanutenção por seis meses. McConnell disse que, desde que assumiu o cargo, emfevereiro, nenhum norte-americano foi alvo do programa deespionagem. Disse ainda que a capacidade do governo em coletarinformações no exterior diminuiu neste ano até que fosseaprovada a prorrogação do programa, mas já se recuperou.

RANDALL MIKKELSEN, REUTERS

18 de setembro de 2007 | 20h08

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