China pede a Obama que não desfaça obra de Bush

A imprensa estatal chinesa pediu ao novo presidente dos EUA, Barack Obama, que não ignore "o progresso tão arduamente conquistado" pelo governo de George W. Bush nas relações bilaterais. Sob censura, sites chineses cortaram as referências do discurso de posse de Obama ao comunismo e a dissidentes. O jornal China Daily elogiou Bush por lançar "fundações decentes para uma das relações mais influentes do mundo". "Após décadas de dramáticos altos se baixos, as relações outrora voláteis (entre China e EUA) começam a dar sinais de estabilização", disse um editorial. "Para muitos, os oito anos do presidente Bush à frente das políticas externas dos EUA foram cheios de frustrações. A ainda injustificada guerra do Iraque, por exemplo, prova um descrédito excepcional para o seu país e para ele mesmo. O presidente Obama prometeu um fim a isso. O que é correto e já passa da hora", disse o texto. "Mas sejamos justos e honestos --os anos Bush não foram desprovidos de méritos. Ancorar a relação entre a única superpotência do mundo e o maior país em desenvolvimento não é um trabalho fácil. Mas o governo Bush conseguiu." O Diálogo Econômico Estratégico, na opinião do jornal, se tornou uma "plataforma inestimável" para a comunicação de alto nível. "Agora, as pessoas se perguntam se a sua quinta sessão, no começo do mês passado em Pequim, foi a última." CENSURA Os sites chineses censuraram as referências do discurso de Obama ao comunismo e à repressão a dissidentes. A TV estatal abandonou repentinamente a transmissão quando o presidente citou o comunismo. Nos últimos dias, o regime comunista fechou mais de 200 sites devido a conteúdo "vulgar". Muitos consideram que o governo está tentando calar a dissidência em um ano cheio de datas delicadas, inclusive o 20o aniversário da sangrenta repressão a manifestantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial. "Lembrem-se de que gerações anteriores enfrentaram o comunismo e o fascismo não só com mísseis e tanques, mas com sólidas alianças e convicções duradouras", disse Obama no discurso de terça-feira, que durou 18 minutos. Depois, acrescentou: "Àqueles que se aferram ao poder por meio da corrupção, do logro e do silenciamento da dissidência, saibam que vocês estão no lado errado da história, mas que iremos lhes estender a mão se vocês estiverem dispostos a descerrar o punho." Na primeira citação, quando o intérprete chinês disse a palavra "comunismo," o canal estatal CCTV silenciou a transmissão, e depois passou para um apresentador, no estúdio, que se enrolou ao fazer uma pergunta a um analista sobre as perspectivas econômicas do governo Obama, segundo trecho disponível no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=yxBVmkP04Ag). O analista também pareceu ser apanhado de surpresa. (Reportagem adicional de Ian Ransom e Nick Macfie)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.