CIA admite que destruiu fitas de interrogatórios secretos

Jornal afirma que depoimentos de suspeitos da Al-Qaeda continham imagens do uso de métodos de tortura

BBC,

07 de dezembro de 2007 | 07h59

A CIA confirmou que destruiu pelo menos duas fitas de vídeo com o interrogatório de suspeitos de terrorismo. De acordo com a agência de inteligência americana, os registros foram destruídos para proteger a identidade de agentes e porque eles não tinham mais validade para as investigações. Porem, segundo o jornal americano The New Work Times, o material foi destruído por exibir imagens de métodos severos de interrogatório.   Oficiais temem que as fitas coloquem em dúvida a legalidade das técnicas usadas pela CIA, aponta ainda o jornal. O material possivelmente continha imagens do interrogatório de suspeitos de práticas terroristas no ano de 2002, incluindo Abu Zubaydah, que foi o chefe de recrutamento da rede Al-Qaeda.   Os vídeos foram, de acordo com o NYT, destruídos em 2005, quando a agência começou a ser criticada por fazer interrogatórios secretos.   A agência de notícias Associated Press obteve na quinta-feira uma carta que foi enviada pela CIA para todos os seus funcionários por seu diretor, Michael Hayden, explicando porque o material foi destruído.   No memorando, Hayden afirmou que a CIA começou a gravar os interrogatórios por um sistema interno em 2002 e decidiu destruir as imagens porque elas não tinham nenhuma razão "legal ou interna" para serem guardadas. De acordo com a AP, o chefe da CIA disse ainda que "as fitas colocavam seriamente a segurança em risco".   "Elas permitiram a identificação de nossos colegas agentes que participaram do programa, expondo-os e suas famílias à retaliações de membros e simpatizantes da Al-Qaeda".   A CIA reconhece que seus interrogatórios eram cruéis, mas Hayden afirma que inspeção realizada por órgãos de vigilância internos em 2003 e verificaram a legalidade das técnicas usadas.   Porém, o presidente do comitê judiciário do Senado, Patrick Leahy, afirmou que a destruição das imagens era preocupante. "A destruição é combinada quando se quer ocultar ações da responsabilidade".   De acordo com o correspondente da BBC em Washington Justin Webb, a revelação foi recebida com críticas por parte de grupos de direitos civis americanos e por políticos, que ressaltaram que, no passado, a agência havia negado a existência dessa fitas.   Para o  correspondente da BBC em Washington Jonathan Beale, entre as técnicas aplicadas durante os interrogatórios estariam o afogamento, que segundo grupos de direitos humanos pode é enquadrado como tortura em vários tratados internacionais dos quais os Estados Unidos são signatários.

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