CIA admite uso de técnica de afogamento em interrogatórios

Michael Hayden disse que a prática foi adotada há cinco anos e, depois, não foi mais usada

BBC,

05 de fevereiro de 2008 | 20h11

O diretor da CIA, Michael Hayden, admitiu nesta terça-feira, 5, que a agência de inteligência americana utilizou a técnica de interrogatório conhecida como waterboarding (que simula a sensação de afogamento) em três suspeitos da Al-Qaeda. Em pronunciamento durante uma audiência no Senado americano, Hayden disse que a prática foi adotada há cinco anos e, depois, não foi mais usada.  Na polêmica técnica, o prisioneiro é deitado e um pano é colocado em sua boca ou um pedaço de plástico colocado sobre seu rosto. Os interrogadores jogam então água sobre o rosto do prisioneiro.  Segundo a BBC, esta é a primeira vez que uma autoridade do alto escalão do governo americano revela quando e em quem a técnica foi utilizada.  Guantánamo  Em seu depoimento para o Senado, Hayden afirmou que, no final de 2001 e em 2002, três suspeitos da Al-Qaeda, que estão atualmente presos em Guantánamo, passaram pela técnica que simula a sensação de afogamento.  Entre os três estava Khaled Sheikh Mohammed, que teria planejado os ataques de 11 de setembro de 2001.  Hayden afirmou que a técnica - que foi proibida entre os militares, mas não para a CIA - não foi usada nos últimos cinco anos e apenas foi utilizada naquela ocasião porque as autoridades temiam um outro ataque contra os Estados Unidos.  Em dezembro de 2007, a CIA admitiu que tinha destruído vídeos que mostravam os interrogatórios de dois dos três homens que foram citados por Hayden em seu depoimento desta terça-feira.  A pressão para que o governo de George W. Bush declare que a técnica de interrogatório é contra a lei está aumentando.  Críticos e organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que a simulação da sensação de afogamento é tortura.  O novo secretário da Justiça dos Estados Unidos, Michael Mukasey, se recusou diversas vezes a revelar sua opinião sobre a legalidade da técnica.

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