CIA diz ter gravado interrogatórios, mas destruído fitas

A CIA admitiu na quinta-feira tergravado em vídeo o interrogatório de suspeitos de terrorismo,com técnicas que críticos consideram formas de tortura, masdisse que depois destruiu as fitas. Michael Hayden, diretor da Agência Central de Inteligência(CIA), disse em carta aos funcionários que as gravaçõescomeçaram a ser feitas em 2002, como parte de um programasecreto de detenções e interrogatórios iniciado com a prisão deAbu Zubaydah, dirigente da Al Qaeda. As gravações foram abandonadas naquele mesmo ano, e asfitas foram destruídas em 2005, segundo Hayden. "As fitas constituíam um sério risco à segurança. Se algumavez vazassem, permitiriam a identificação de colegas da CIA quehaviam servido no programa, expondo-lhes e a suas famílias aretaliações da Al Qaeda e de seus simpatizantes", disse Haydenna carta, à qual a Reuters teve acesso. Ele disse que resolveu falar do programa por causa dereportagens sobre o assunto que serão publicadas em breve. Defato, na quinta-feira, o jornal The New York Times escreveusobre as gravações em seu site. No mês passado, num caso paralelo, a CIA havia finalmenteadmitido que possuía gravações de interrogatórios que haviamsido solicitadas no julgamento de Zacarias Moussaoui, supostomentor dos atentados de 11 de setembro de 2001. O democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão deJustiça do Senado, disse que a destruição das fitas é mais umaspecto perturbador do programa de interrogatórios. "O dano éagravado quando tais ações são escondidas", afirmou ele emnota. O programa de detenção e interrogatórios foi confirmado em2006 pelo presidente George W. Bush. Graças a ele, suspeitossão submetidos a métodos duros de interrogatório, como asimulação de afogamento. Parlamentares norte-americanos, ONGs de direitos humanos evários governos estrangeiros consideram essa simulação deafogamento uma forma de tortura. Acredita-se que três presos"de alto valor" da CIA tenham sido submetidos à simulação, queteria deixado de ser empregada nesse programa em 2003.

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