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CIA e FBI se preparam para interrogar suspeito de ataque em Boston

Jovem de origem chechena está internado em estado grave após ter sido ferido e preso

O Estado de S. Paulo,

22 de abril de 2013 | 09h44

A CIA e o FBI preparam-se para indiciar Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, suspeito de planejar e executar um atentado a bomba na Maratona de Boston, na semana passada. O jovem de origem chechena está internado em estado grave em um hospital após ter sido ferido e preso na sexta-feira. Por ter sido baleado na garganta, segundo a polícia, Dzhokhar não tem condições de ser interrogado ainda.  "Não sabemos se seremos capazes de questioná-lo", admitiu o prefeito de Boston, Thomas Menino.

Na noite de domingo, a imprensa informou que ele estava consciente e respondendo por escrito a perguntas, mas a polícia de Boston não confirmou isso. As reais circunstâncias da prisão e do ferimento do suspeito permanecem obscuras. O FBI não quis comentar o caso.

A captura de Tsarnaev, na noite de sexta-feira, encerrou uma caçada humana que praticamente paralisou a região metropolitana de Boston durante cerca de 20 horas. O irmão mais velho dele, Tamerlan, de 26 anos, havia sido morto durante tiroteio com a polícia na véspera. Os investigadores estão tentando apurar, entre outras coisas, se os dois irmãos agiram sozinhos. O prefeito e o chefe de polícia de Boston dizem acreditar que sim.

O comissário de policia Ed Davies disse à CNN que os investigadores descobriram pelo menos quatro bombas não detonadas, uma delas semelhante aos dois dispositivos montados em panelas de pressão que explodiram a uma semana junto à linha de chegada da Maratona de Boston, matando 3 pessoas e ferindo mais de 170. Por causa disso, as autoridades suspeitam que os irmãos Tsarnaev ainda planejavam cometer outros ataques.

Também está sendo investigada a viagem que Tamerlan fez à Rússia no ano passado, o que pode esclarecer se ele se envolveu com ou sofreu alguma influência de separatistas chechenos ou extremistas islâmicos. Os irmãos, que nasceram no Quirguistão, migraram há uma década do Daguestão (região russa de maioria muçulmana) para os EUA.

Vizinhos da família em Makhachkala, capital do Daguestão, disseram que Tamerlan manteve-se discreto durante os seis meses que passou lá no ano passado, ajudando seu pai a reformar um apartamento.  A Rússia já informou aos EUA que havia observado Tamerlan, e em 2011 o FBI o interrogou. Esses fatores, junto com a viagem, motivam especulações de que algum sinal de alerta teria passado despercebido.

Um grupo que promove uma insurgência islâmica contra a Rússia disse no domingo que não está em guerra contra os EUA, e que nada teve a ver com os atentados em Boston. A insurgência no Cáucaso está relacionada a dois conflitos separatistas da Chechênia que foram esmagados por Moscou nas últimas duas décadas. / REUTERS E WASHINGTON POST

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