CIA terceirizou captura e assassinato de membros da Al-Qaeda

Segundo NYT, agência contratou empresa de segurança privada como parte de programa secreto para a guerra

Efe,

20 de agosto de 2009 | 08h42

A CIA (agência de inteligência americana) investiu milhões de dólares para terceirizar, através da empresa Blackwater, a captura ou assassinato de membros da Al-Qaeda. A informação foi dada por funcionários do atual e do anterior governo americano citados nesta quinta-feira, 20, no site do jornal The New York Times.

 

Segundo o jornal, em 2004 a CIA terceirizou com a empresa privada de segurança Blackwater parte de um programa secreto para localizar e assassinar os líderes da rede terrorista Al-Qaeda. O governo George W. Bush, que ocultou do Congresso americano o programa, tinha decidido que o assassinato de membros do grupo islâmico era a mesma coisa que matar soldados inimigos. Por esse motivo, para o governo Bush ,a agência de espionagem americana não estava limitada pela ordem assinada em 1976 pelo ex-presidente Gerald Ford, que proibia os assassinatos à CIA, segundo o diário.

 

Apesar do investimento de "vários" milhões de dólares, segundo o jornal, o plano não permitiu conseguir a captura nem o assassinato de nenhum terrorista suspeito. Segundo o jornal, a terceirização do programa chegou a "alarmar" o atual diretor da CIA, Leon Panetta, que em junho passado convocou uma reunião urgente para informar ao Congresso que a agência tinha ocultado dos congressistas os detalhes do assunto durante sete anos.

 

A companhia Blackwater, fundada por Erik D. Prince, obteve vários contratos oficiais no Iraque, como um com o Departamento de Estado americano para proteger diplomatas. Suas atividades geraram no Iraque e nos EUA, entre outros países, várias e graves acusações de assassinatos rotineiros e brutalidades, assim como de excessos uso de armas.

 

O porta-voz da CIA, Paul Gimigliano, falou em facilitar dados sobre o citado programa, mas ressaltou, apontando como correta, a decisão de seu chefe, Leon Panetta, de informar o Congresso. Já o porta-voz da empresa não atendeu às ligações do jornal.

 

Em dezembro de 2007, disparos de seguranças da Blackwater mataram 17 civis em Bagdá. No dia 6, um tribunal americano inocentou cinco dos acusados de ter participado do massacre. Bagdá qualifica os envolvidos de "criminosos" e pressiona Washington pela condenação.

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