Cientista defende imposto do carbono contra aquecimento

Segundo o cientista James Hansen, é preciso adotar medidas urgentes para diminuir as emissões de CO2

REUTERS

23 de junho de 2008 | 22h58

O cientista norte-americano responsável 20 anos atrás por dizer ao Congresso dos EUA que o planeta estava esquentando afirmou, nesta segunda-feira, que é preciso adotar medidas urgentes a fim de diminuir a produção de gases do efeito estufa e propôs criar um imposto sobre as emissões de carbono.      Especial meio ambiente e aquecimento globalJames Hansen, diretor do Instituto Goddard para os Estudos Espaciais (uma entidade ligada à Nasa, agência espacial norte-americana), disse em uma sessão realizada no Congresso que a taxa de carbono seria a forma mais eficiente de diminuir as emissões e encorajar a utilização de fontes de energia não-fósseis. "Precisamos ser francos com a opinião pública a respeito da necessidade de haver um preço sobre as emissões de carbono", disse Hansen. "Essa é a única forma de começarmos a avançar rumo a uma economia livre de carbono." Segundo o cientista, é preciso adotar medidas urgentes para diminuir as emissões de dióxido carbono, um dos gases responsáveis por aquecer o planeta e provocar o derretimento de gelo no Ártico. Hansen disse que os líderes mundiais dispunham de apenas um ou dois anos antes de a Terra atingir um "momento crítico" com enormes consequências sobre o clima mundial e a sobrevivência de seres vivos de várias espécies. "Estamos hoje diante de uma situação de emergência", afirmou o cientista. Hansen disse ainda que o governo não deveria ficar com o dinheiro arrecadado com o imposto do carbono, mas reinvesti-lo de forma a ajudar os contribuintes a pagarem por combustíveis mais eficientes. O presidente norte-americano, George W. Bush, opôs-se à adoção de qualquer programa amplo de combate às emissões de carbono afirmando que isso prejudicaria a economia dos EUA e resistiu a qualquer sugestão de aumentar os impostos. Mas o aquecimento global transformou-se em um tema da campanha presidencial deste ano no país e deve surgir com destaque na cúpula a ser realizada pelos líderes do Grupo dos Oito (G8, que reúne países industrializados) no próximo mês, no Japão. Hansen, 20 anos atrás, testemunhou diante de uma comissão do Senado e disse aos congressistas que "o efeito estufa foi detectado e está alterando o nosso clima neste momento." O testemunho do cientista ajudou a fazer nascerem os primeiros esforços da parte do Congresso para enfrentar o efeito estufa. A manobra mais recente desse tipo, um projeto de lei que criaria um sistema de compra e venda de cotas de emissão de carbono, morreu no Senado, no começo deste mês, devido à ameaça de veto da parte do governo. (Reportagem de Donna Smith)

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