Cientista dos EUA é processado por vender segredos nucleares

Um ex-cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos (EUA) e a mulher dele foram formalmente acusados de tentar vender segredos relativos a armas nucleares para uma pessoa que eles achavam ser funcionário do governo da Venezuela, disse o Departamento de Justiça na sexta-feira.

TABASSUM ZAKARIA, REUTERS

17 de setembro de 2010 | 21h12

O casal também foi indiciado por conspiração para participar do desenvolvimento de uma arma nuclear para a Venezuela, segundo o Departamento.

Um júri federal de instrução reunido na quinta-feira no Novo México acatou o processo com 22 crimes contra os cidadãos norte-americanos Pedro Leonardo Mascheroni, de 75 anos, e Marjorie Roxby Mascheroni, de 67. Ambos foram detidos na sexta-feira pelo FBI, e podem ser condenados à prisão perpétua.

O Departamento de Estado salientou que "o indiciamento não alega que o governo da Venezuela ou qualquer um em seu nome tenha buscado ou recebido qualquer informação sigilosa." Os dois governos mantêm relações tensas há vários anos.

Mascheroni, um físico, trabalhou de 1979 a 88 no laboratório do governo em Los Alamos (Novo México), que realiza pesquisas com armas nucleares. A mulher dele, que fazia redação e edição técnica, trabalhou lá de 1981 a 2010.

Em março de 2008, Mascheroni teria dito a um agente do FBI -- que se fazia passar por funcionário do governo de Hugo Chávez -- que poderia ajudar a Venezuela a desenvolver uma bomba nuclear no prazo de dez anos.

Ele teria pedido cidadania venezuelana, discutido o pagamento e dito ao agente para que se referisse a ele como "Luke", segundo o Departamento de Justiça.

Em novembro de 2008, Mascheroni enviou a uma caixa postal um disco de computador com um documento codificado de 132 páginas, chamado "Um Programa de Dissuasão para a Venezuela", que continha dados sigilosos sobre armas nucleares, segundo o Departamento de Estado.

Mascheroni teria cobrado 793 mil dólares pela confecção do relatório, segundo as autoridades.

Em julho de 2009, o físico mandou para a mesma caixa postal um disco com um documento de 39 páginas, também com dados sigilosos sobre armas nucleares, diz o indiciamento.

"A conduta alegada neste indiciamento é séria e deveria servir de alerta para quem estiver cogitando comprometer os segredos nucleares da nossa nação para fins de lucro", disse o secretário-assistente de Justiça David Kris em nota.

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