Cientista dos EUA vê exagero em ameaça norte-coreana

O mundo precisa levar a sério a ameaça representada pelo suposto programa norte-coreano de enriquecimento de urânio, mas sem exagerá-lo, disse na terça-feira o cientista dos Estados Unidos que viu centenas de centrífugas durante uma visita ao país.

REUTERS

23 de novembro de 2010 | 18h32

Siegfried Hecker, da Universidade Stanford, disse a jornalistas que, se a Coreia do Norte desejasse ter material físsil para bombas atômicas, faria mais sentido reativar seu programa de plutônio enriquecido, em vez de iniciar o enriquecimento de urânio.

Numa rara visita de um cientista norte-americano à Coreia do Norte, as autoridades locais disseram a Hecker que havia 2.000 centrífugas (máquinas de enriquecimento nuclear) na usina onde ele esteve.

A existência das centrífugas despertou suspeitas sobre um programa de enriquecimento de urânio no país, que poderia substituir o programa à base de plutônio, paralisado devido a um antigo acordo internacional.

Muitos especialistas dizem que a Coreia do Norte busca assustar o Ocidente com seu programa nuclear, a fim de arrancar concessões. Em aparição no Instituto Econômico da Coreia, em Washington, Hecker aconselhou: "Levem a ameaça a sério, mas não a exagerem."

Em 2004, a Coreia do Norte já havia escolhido Hecker para mostrar uma amostra de plutônio.

Um colega que o acompanhou na nova visita, Robert Carlin, disse que a Coreia do Norte informou à pequena delegação norte-americana que o regime só abrirá mão das suas armas nucleares quando os EUA resolverem as preocupações norte-coreanas com relação à sua segurança.

A Coreia do Norte diz que deseja retomar as negociações de desarmamento abandonadas há dois. Coreia do Sul e EUA dizem que um pré-requisito para isso seria a Coreia do Norte demonstrar sinceridade em suas promessas anteriores de abrir mão de seu arsenal nuclear.

O bombardeio norte-coreano de terça-feira contra uma ilha sul-coreana próxima à fronteira marítima disputada agravou as tensões na região, que já eram elevadas desde março, quando a Coreia do Sul acusou o Norte de torpedear uma embarcação militar sua, matando 46 marinheiros.

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