Cientista ligado a caso de antraz dos EUA se suicida, diz jornal

Justiça considerava acusá-lo pelo envio do vírus a grupos de mídia e políticos americanos após o 11/09

ALAN ELSNER, REUTERS

01 de agosto de 2008 | 07h54

Um importante cientista do governo americano, que ajudou a investigar uma série de ataques com antraz em 2001,- morreu aparentemente por suicídio, logo antes do Departamento de Justiça acusá-lo de ser responsável pelos ataques, informou o jornal Los Angeles Times nesta sexta-feira, 1. O jornal, que citou pessoas ligadas ao cientista, à sua morte e à investigação do FBI, identificou o homem como Bruce Ivins, 62, que trabalhou nos últimos 18 anos nos laboratórios de pesquisa de biodefesa do governo americano, em Maryland. A CNN disse que o Departamento de Justiça "considerava seriamente" acusá-lo, logo antes de sua morte. Mas o órgão não comentou o assunto.  O Los Angeles Times disse que Ivins foi informado sobre o processo na terça-feira, quando ele morreu depois de ingerir uma enorme dose de analgésicos. As autoridades de Maryland não declararam oficialmente ainda a causa da morte.   Segundo a BBC, no final de 2001, Ivins tinha sido designado pelo FBI para investigar uma série de ataques com antraz que ocorreram quando os Estados Unidos ainda estavam em alerta depois dos ataques de 11 de setembro. Pelo menos cinco pessoas morreram - inclusive dois trabalhadores dos correios em Washington - depois da série de ataques em outubro de 2001. Cartas contendo esporos de antraz foram enviadas a organizações de imprensa e até ao Congresso americano causando pânico no país.   Além das cinco mortes, outras 20 pessoas ficaram doentes. As medidas de segurança tomadas depois do envio das cartas com o antraz prejudicaram o sistema de correios americano e fecharam temporariamente um prédio do Senado dos Estados Unidos.   A identidade do responsável pelos ataques - o primeiro deles ocorrido apenas uma semana depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 - continua desconhecida. Durante algum tempo outro cientista militar, Steven Hatfill, foi considerado suspeito. Mas ele processou o governo dos Estados Unidos por violação de privacidade, ganhando uma indenização de US$ 5 milhões. Steven foi exonerado.   No total, cerca de 20 cientistas foram investigados, mas o FBI teria concluído que apenas um deles, Bruce Ivins, pode ter sido o responsável. O motivo dos ataques não foi descoberto. O Departamento de Justiça americano não comentou o caso.   Matéria atualizada às 9h45.  

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