Clérigos da Flórida são presos por ajudar Taliban do Paquistão

Três cidadãos norte-americanos que nasceram no Paquistão, inclusive os clérigos de duas mesquitas na Flórida, foram presos no sábado sob a acusação de estarem financiando e apoiando o Taliban no Paquistão, disseram autoridades dos EUA.

KEVIN GRAY, REUTERS

14 de maio de 2011 | 16h52

Os três faziam parte de um grupo de seis pessoas acusadas de "apoiar atos de assassinato, sequestro e violência no Paquistão e em outros lugares" realizados pelo Taliban no Paquistão.

O processo, anunciado pelo procurador do distrito do sul da Flórida Wilfredo Ferrer e pelo FBI, acusa os seis de criarem uma rede para transferir fundos dos Estados Unidos para o Taliban no Paquistão, inclusive para o propósito de comprar armas.

As acusações foram reveladas num momento em que as relações dos EUA com o Paquistão estão em crise devido ao ataque de forças especiais norte-americanas que matou o líder da Al Qaeda Osama bin Laden no Paquistão.

O parlamento paquistanês condenou neste sábado o ataque que matou Bin Laden e pediu uma revisão das relações com os EUA.

Dois dos acusados, Hafiz Muhammed Sher Ali Khan, de 76 anos, e seu filho, Izhar Khan, de 24, foram presos no sul da Flórida. Outro filho, Irfan Khan, de 37, foi preso em Los Angeles.

Hafiz Khan é o clérigo responsável pela mesquita de Miami, conhecida como Flagler. Seu filho, Izhar Khan, é o clérigo responsável pela mesquita Jamaat al-Mu'mineen em Margate, na Flórida, segundo o processo.

Os outros três acusados, Ali Rehman, Alam Zeb e Amina Khan, estavam vivendo no Paquistão e continuam soltos. Amina Khan é a filha de Khan, e o filho dela, Alam Zeb é neto dele.

Procuradores disseram que Hafiz Khan também apoiou o Taliban do Paquistão por meio de uma madrassa, um escola islâmica, em Swat, no Paquistão, que ele utilizava para abrigar militantes do grupo.

Ele havia "enviado crianças a sua madrassa para aprender a matar norte-americanos no Afeganistão", segundo o processo aberto ao público pelo escritório de Ferrer em Miami.

"Apesar de ser um clérigo, Hafiz Khan não era de modo algum um homem de paz", disse Ferrer no comunicado.

O Taliban paquistanês é classificado como uma "organização terrorista estrangeira" pelo governo dos EUA, que diz que o grupo tem ligações tanto com a Al Qaeda como com o Taliban do Afeganistão.

Se forem julgados culpados, cada um dos acusados enfrenta 15 anos de cadeia para cada uma das quatro acusações.

"Quero deixar claro que esse processo não é contra uma comunidade em particular ou uma religião. Ele acusa seis indivíduos de promover a violência e o terror por meio de seu apoio financeiro e outras formas de apoio ao Taliban paquistanês", disse Ferrer no comunicado.

Em outro caso que pode piorar as relações entre os EUA e o Paquistão, um paquistanês acusado de ajudar militantes nos ataques em Mumbai na Índia em 2008 vai ser julgado em Chicago na semana que vem.

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