Colapso da ponte sobre o Mississippi começa a ser investigado

Para especialista, incidente pode ter sido causado por problemas durante obras de manutenção

Renata Miranda, do Estadão,

02 de agosto de 2007 | 20h33

O Departamento Nacional de Transportes dos Estados Unidos começou nesta quinta-feira, 2, a primeira etapa da investigação para determinar o que levou a ponte sobre o Rio Mississippi a cair na noite de quarta-feira. Apesar de nenhuma versão oficial ter sido divulgada até o momento, especialistas em engenharia afirmam que o desastre pode ter sido causado por reformas pelas quais a ponte estava passando.  Veja Também Assista a imagens da ponte desabando Equipes procuram até 30 vítimas Resgate descarta encontrar sobreviventes  Segundo o engenheiro civil e representante do Brasil na Associação Internacional de Pontes e Grandes Estruturas de Zurique, na Suíça, Júlio Timerman, existem duas possíveis causas para o acidente.  A primeira seria a reforma pela qual a ponte estava passando. O engenheiro afirma que a maneira como a obra estava sendo feita pode ter contribuído para o colapso. "Se a reparação em andamento fosse para substituir algum material, por exemplo, o acidente pode ter acontecido na hora da reposição", afirmou Timerman ao Estado. A outra causa do acidente seria a falta de cuidados com a estrutura da ponte. "A falta de manutenção em apenas uma peça pode ter sobrecarregado outras partes da estrutura, causando um colapso progressivo que resultou num efeito dominó e terminou com a queda da ponte", explica. A ponte na cidade de Minneapolis desabou misteriosamente na hora do rush vespertino de quarta-feira. Segundo dados oficiais, quatro pessoas morreram, mas bombeiros admitem estar procurando por pelo menos 30 desaparecidos. Além disso, mais de 50 carros que transitavam sobre a estrutura no momento do acidente foram engolidos pelas estruturas. "Não há dúvida de que o número de fatalidades vai subir", disse o governador do Estado de Minesota, Tim Pawlenty, à rede NBC.  Segundo autoridades americanas, a estrutura de aço e concreto estava danificada.  Imagens capturadas por uma câmara de segurança mostram o momento exato do incidente.  Para o professor de engenharia civil e ambiental do Instituto Politécnico de Rensselaer, em Nova York, Michael O'Rourke, o colapso tem mais a ver com os trabalhos de reforma da ponte do que com as más condições de sua estrutura. "É mais comum ocorrer problemas com uma ponte durante os trabalhos de reparos do que antes ou depois deles", afirmou O'Rourke. No entanto, a Administração Federal de Rodovias dos EUA expediu relatório no ano passado avaliando que 13,1% das pontes rodoviárias estavam "estruturalmente deficientes" - termo que indica que um componente da estrutura foi considerado em situação ruim ou péssima, mas não há, necessariamente, alerta de colapso iminente. De acordo com o órgão, essas pontes apresentam deterioração em elementos importantes e estão com a capacidade de sustentação de carga reduzida. Além disso, a agência reportou que mais 13,6% de pontes estavam "funcionalmente obsoletas", e que não atendiam aos padrões de projeto atuais. As autoridades do setor de transportes sabem que muitas das 600.000 pontes do país necessitam reparos ou substituição. Muitas pontes em mal estado, como o vão da auto-estrada interestadual 35W sobre o rio Mississippi em Minneapolis, continuam abertas ao tráfego.

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