Comandante dos EUA diz que progressos no Iraque são 'frágeis'

Chefe do Exército dos EUA defende intervalo na retirada de tropas para avaliar e situação da ofensiva americana

Agências internacionais,

08 de abril de 2008 | 11h10

O comandante militar do Exército dos Estados Unidos no Iraque, general David Petraeus, assegurou nesta terça-feira, 8, que os progressos conquistados na ofensiva iraquiana são frágeis e reversíveis. Diante do Senado americano, ele recomendou ainda o congelamento da retirada de soldados do conflito por pelo menos 45 dias após o grupo de 20 mil militares previsto para deixar o país em julho.  Veja também: US$ 5 mil malgastos por segundo na guerra   Para o general, a trégua é um período necessário para "consolidação e avaliação" da redução no efetivo militar no país. Após esse intervalo, o governo americano recomendaria ou não novas retiradas de soldados. Ele ainda criticou o suporte iraniano aos insurgentes e reiterou que o retorno precipitado das tropas poderia colocar a perder as conquistas do último ano. "A situação de segurança é significativamente melhor do que há 15 meses, mas os progressos conseguidos são frágeis e reversíveis", disse o general, em seu comparecimento semestral no Congresso, acompanhado do embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker. Os dois principais representantes americanos no Iraque foram convocados novamente, como em setembro passado, para informar sobre os resultados da escalada militar realizada em janeiro de 2007, quando a presença americana no Iraque aumentou. O comparecimento diante do Senado tem caráter especial, dada a presença dos três senadores candidatos à Casa Branca, o republicano John McCain, que já obteve a candidatura de seu partido, assim como Hillary Clinton e Barack Obama, que disputam a vaga democrata. O primeiro a discursar foi o senador do Arizona, McCain, que afirmou que "o aumento da segurança levou a uma oportunidade mais ampla de solução política no Iraque". McCain disse que os Estados Unidos devem manter seu compromisso e sua presença militar no Iraque, porque "uma guerra civil poderia se tornar um genocídio", com repercussões em todo o Oriente Médio e na região do Golfo. Além disso, criticou duramente a postura de seus adversários democratas, que já anunciaram que, se vencerem no pleito presidencial de novembro, ordenarão a retirada das tropas do Iraque. "Uma retirada imprudente e irresponsável seria um grande erro político e moral" por parte dos Estados Unidos. Antes do discurso de McCain, o presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, o democrata Carl Levin, disse que a violência recente em Bagdá levanta dúvidas sobre o êxito da escalada militar americana no Iraque. A senadora e pré-candidata Hillary Clinton afirmou que o governo americano deveria começar a retirar as tropas do Iraque e se concentrar em problemas de outras regiões do mundo. "Acredito que seja hora de começar um processo ordenado de retirada de tropas, a reconstruir o nosso Exército e de nos concentrarmos nos desafios apresentados no Afeganistão, pelos grupos terroristas globais e outros problemas que os americanos enfrentam". Na tarde desta terça-feira, durante o depoimento de Petraeus à comissão de Relações Exteriores do Senado, o senador Barack Obama disse que os Estados Unidos devem apresentar um cronograma para a retirada das tropas americanas do Iraque para pressionarem os líderes iraquianos a estabelecerem a paz na região.  "Aumentar a pressão, a meu ver, inclui um cronograma de retirada. Ninguém está pedindo uma retirada precipitada, mas eu acho que ela tem que ser mediada por um aumento de pressão", disse Obama ao general Petraeus. O pré-candidato democrata ainda disse que os EUA deveriam abrir um diálogo diplomático com o Irã, em um marco para estabilizar a situação no Iraque, informou a agência France Presse.  Irã O general também condenou o Irã por desempenhar um "papel destrutivo" no Iraque. "Devemos observar atentamente as ações iranianas nas próximas semanas e meses, pois eles vão mostrar que tipo de relacionamento querem ter com o país vizinho e o caráter do futuro envolvimento iraniano no Iraque", disse.  O embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Ryan Crocker, afirmou que apóia "relações construtivas entre Irã e Iraque", mas o país está sendo pressionado para encerrar seu apoio aos insurgentes no Iraque. "O Irã continua prejudicando os esforços do governo iraquiano para estabelecer um Estado seguro e estável ao dar o treinamento para membros de milícias criminosas, envolvidas com violência contra as forças de segurança iraquianas, forças de coalizão e civis", afirmou Crocker ao Congresso. Ele ainda disse que o fracasso no Iraque seria a chance para que a Al-Qaeda se estabeleça no mundo árabe. "A Al-Qaeda está recuada no Iraque, mas ainda não foi derrotada. Os líderes da Al-Qaeda estão buscando oportunidades, Osama Bin Laden chamou o Iraque de base perfeita."  "Isto nos lembra que o objetivo fundamental da Al-Qaeda é se estabelecer no mundo árabe. Quase conseguiu no Iraque, não podemos permitir uma segunda chance", acrescentou Crocker. Síria e Hezbollah Os dois funcionário norte-americanos mais graduados no Iraque acusaram nesta terça-feira o Irã, a Síria e o Hezbollah libanês de incentivarem os recentes conflitos em Bagdá, dizendo que Teerã e Damasco insistem numa "estratégia de 'libanização'" no Iraque. "A mão do Irã ficou muito clara recentemente", disse Petraeus.  O Irã nega que apóie a violência no Iraque, dizendo que a responsabilidade é das 160 mil tropas americanas. O comandante americano, porém, declarou que forças iranianas e o Hezbollah estão fundando, treinando e armando grupos renegados xiitas, acusados pelos recentes ataques à capital iraquiana. "Esses grupos são a maior ameaça à viabilidade da democracia no Iraque", acrescentou. Para Crocker, o Irã e a Síria usavam uma estratégia política no Iraque similar a outra empregada no Líbano, de buscar membros da comunidade xiita como "instrumentos das forças iranianas". "Eles estão usando a mesma parceria no Iraque, ao meu ver, mas a participação está trocada: Irã tem mais peso, e a Turquia, menos", avaliou o embaixador. Atualizada às 19h20

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