Comandante dos EUA no Iraque depõe no Senado nesta terça

General David Petraeus defende aumento de tropas; presidenciáveis deixam campanha para sabatinar militar

Agências internacionais,

08 de abril de 2008 | 08h00

O general quatro-estrelas que comanda a ofensiva americana no Iraque, David Petraeus, quer mais tempo para a guerra que completou cinco anos em 2008. Nesta terça-feira, 8, Petraeus - chefe das forças norte-americanas no país - e o embaixador Ryan Crocker darão depoimentos à Comissão do Senado para os Serviços Armados e à Comissão de Relações Exteriores, onde farão um balanço do conflito e recomendarão uma estabilização do contingente americano a partir da metade do ano, quando os EUA terão cerca de 156 mil homens no Iraque e no Afeganistão.   Veja também: US$ 5 mil malgastos por segundo na guerra    Entre os participantes das sabatinas estarão o senador John McCain, candidato republicano à presidência dos EUA, e os dois pré-candidatos democratas: Barack Obama e Hillary Clinton. Petraus planeja dizer ao Senado que o aumento do número de soldados em 2007, com o efetivo extra de 30 mil soldados enviados para a zona de combate, ajudaram na queda dos índices da violência no país.   Segundo a sua proposta, pelo menos 140 mil militares deveriam estar no Iraque durante as eleições deste ano, em que democratas prometem a retirada de soldados em caso de vitória do partido. O general deve argumentar também que o aumento da violência nas últimas semanas em Basra e em Bagdá seria um sinal da fragilidade do progresso obtido até agora e que o esforço militar americano deve continuar.   Democratas defendem o fim da ofensiva iraquiana para evitar gastos como os US$ 10 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) mensais com a guerra enquanto a economia americana entra em recessão. Eles afirmam ainda que a carência de progresso político e a recente onda de violência entre o governo iraquiano e militantes xiitas indicam que o aumento de tropas falhou.   Obama promete iniciar a retirada de soldados imediatamente após a posse. "Temos hoje mais de 150 mil homens envolvidos em dois conflitos, onde gastamos US$ 400 milhões por dia para ajudar um governo que se recusa a cooperar", disse na segunda-feira o senador. "A pergunta que o general Petraeus ainda não respondeu é: 'Como esse esforço de guerra no Iraque deixou os americanos mais seguros?'"   Assim como Obama, Hillary defende a retirada, mas acredita que isso levaria pelo menos dois meses. "É preciso acabar com a guerra da maneira mais rápida e responsável possível", disse a senadora. Pela manhã, McCain e Hillary participam do depoimento de Petraeus no Comitê do Senado para os Serviços Armados. À tarde, Obama terá a oportunidade de questionar o general durante sua visita ao Comitê de Relações Exteriores do casa.   A expectativa dos analistas é de que McCain faça uma defesa veemente da guerra e peça mais tempo para que os militares alcancem seus objetivos. Ele espera que a presença do general corrobore sua tese de que os EUA estão realizando progressos no Iraque e atenue o eventual impacto eleitoral negativo do conflito em sua campanha presidencial.   Os três senadores não aparecem há tempos em uma audiência do Senado, mas a presença dos mais altos funcionários americanos no Iraque vai fazer com que eles deixem os compromissos de campanha para poderem participar da sabatina, que está sendo encarada como uma espécie de teste para ver quem é o candidato mais bem preparado para lidar com a complexa questão da guerra no Iraque, que já deixou mais de 4 mil americanos mortos.   Há poucas expectativas de que os depoimentos de Petraeus e Crocker tragam grandes surpresas, ao contrário do ano passado, quando o apoio dos parlamentares às políticas de Bush estavam em jogo. "É tudo completamente previsível desta vez", disse o senador democrata John Kerry.   (Com Reuters, AP, Washington Post e The New York Times)

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