Comandante dos EUA propõe nova estratégia no Afeganistão

Responsável militar faz avaliação da guerra e diz que o enfoque adotado atualmente não está funcionando

31 de agosto de 2009 | 09h22

O general Stanley McChrystal, principal comandante dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, descreveu a situação no país como "grave" em sua avaliação sobre o conflito e pediu por uma mudança de estratégia, sugerindo que a atual não está funcionando.

 

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McChrystal disse que o conflito pode ser revertido com um novo enforque mais centrado na proteção da população e menos no combate aos militantes islâmicos. O relatório não fala diretamente em aumento do número de soldados, mas dá todos os sinais de que isso será necessário.

 

Segundo informou a Força de Assistência para a Segurança no Afeganistão (Isaf), McChrystal apresentou sua análise sobre o conflito para os mais altos militares dos EUA (o Comando Central, que é responsável pela gestão das guerras no Iraque e no Afeganistão) e da Otan. Diante do fracasso da atual estratégia adotada no conflito afegão, McChrystal diz que a população perde cada vez mais a confiança nas tropas estrangeiras, já que os militares não contribuem para melhorar as condições de vida no país.

 

"A situação no Afeganistão é séria, mas o sucesso é possível e exige uma revisada estratégia de implementação, compromisso, determinação e crescente unidade de esforço", apontou McChrystal em comunicado nesta segunda-feira. McChrystal assumiu o comando no Afeganistão em 15 de junho. Ele atrasou a entrega da revisão dos trabalhos no país para não interferir na eleição presidencial de 20 de agosto.

 

O documento propõe que a prioridade seja a proteção da população contra o Taleban, uma tarefa que, no momento, não pode ser delegada nem ao Exército ou a polícia afegã. McChrystal estima que é preciso ao menos três anos para que os militares afegãos possam assumir esta responsabilidade e mais tempo ainda para a polícia. Por isso, o general pede para que o treinamento das forças afegãs seja acelerado. Ele diz ainda acreditar que 60% do problema com os militantes estaria resolvido se o país tivesse mais empregos.

 

O informe não pede diretamente pelo aumento de tropas no combate, mas é possível que o presidente Barack Obama tenha que tomar uma decisão desse tipo quando o documento chegar até a Casa Branca, ponderando as implicações do maior comprometimento com a guerra afegã num momento em que as pesquisas sugerem a perda do apoio dos americanos ao conflito. A última sondagem publicada pelo jornal Washington Post diz que apenas 49% dos americanos pensam que a guerra no Afeganistão vale a pena.

 

Durante o ano, o número de soldados estrangeiros aumentou notavelmente no país asiático - o contingente americano dobrou - chegando a mais de 100 mil militares. McChrystal pede uma reorganização das tropas no país, de modo que mais soldados estejam nas zonas mais densamente povoadas, especialmente nas cidades.

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