Comandante dos EUA questiona crescimento militar da Venezuela

O principal comandante militar dosEUA para a América Latina, almirante Jim Stavridis, questionouna quinta-feira a ampliação do poderio militar da Venezuela nosúltimos anos, já que a região se mostra capaz de evitarconflitos -- como demonstrou a resolução da recente crisediplomática com a Colômbia."Pessoalmente tenho dificuldades em entender por que tantasarmas seriam necessárias por parte do Estado venezuelano",disse Stavridis, chefe do Comando Sul dos EUA, em audiência naComissão de Serviços Armados da Câmara. Em 2006, Caracas adquiriu 24 caças Sukhoi e 100 mil riflesAK-103, e cogita também comprar submarinos. O governo deesquerda de Hugo Chávez diz que tudo isso serviria paraproteger o país de um ataque "imperialista" (ou seja, dosEstados Unidos e seus aliados). No começo deste mês, a Venezuela enviou tropas à fronteiracom a Colômbia em resposta a uma ação militar colombiana contraum acampamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias daColômbia (Farc) no território do Equador. A crise foi superadana semana seguinte, numa cúpula na República Dominicana, comapertos de mãos entre os presidentes dos três países. Para Stavridis, esse desenlace mostra que os líderes daregião são capazes de resolver suas diferenças pacificamente. "Esta é uma região que não é propensa a entrar em guerra,mas tem a capacidade de resolver disputas pacificamente",afirmou. De acordo com ele, a Colômbia fez "enormes progressos"contra as Farc. Ele estimou que o contingente da guerrilhamarxista tenha caído de 17.500 militantes, em 2002, para "algoentre 8.000 e 9.000". "A Colômbia está à beira de conquistar sua paz e de tornarirreversíveis seus ganhos contra o terrorismo e a desordemsocial", disse ele em um depoimento por escrito, entregueseparadamente à comissão. Autoridades norte-americanas, inclusive a secretária deEstado, Condoleezza Rice, que chegou na quinta-feira ao Brasile segue para o Chile, defenderam a ação da Colômbia contra asFarc no Equador. Bogotá pediu desculpas pela incursão, mas cobrou ajuda dosvizinhos contra a guerrilha. O governo colombiano acusa Equadore Venezuela de colaborarem com as Farc, que é considerada pelosEUA como uma organização terrorista. Stavridis disse ainda que a Venezuela é um perigo para ademocracia na região. Quanto a Cuba, ele acha que a ilhacomunista não representa uma ameaça militar aos EUA.

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