Começa primeiro julgamento dos tribunais de Guantánamo

O ex-motoristade Osama bin Laden começou a ser julgado na segunda-feira nabase naval norte-americana de Guantánamo, quase sete anosdepois dos atentados de 11 de setembro de 2001, que levaram ogoverno Bush a declarar "guerra ao terrorismo". O iemenita Salim Ahmed Hamdan é acusado de conspiração eapoio material ao terror. Um júri formado por oficiaismilitares pode condená-lo à prisão perpétua. É o primeirojulgamento por crimes de guerra pelos EUA desde o fim daSegunda Guerra Mundial. Alguns possíveis jurados estavam no Pentágono no dia dosatentados de 2001 ou conheciam vítimas. Por isso, o juiz KeithAllred e advogados questionaram a imparcialidade deles,exigindo que atuassem apenas com base nos autos. Entre 13possíveis jurados, pelo menos cinco serão escolhidos paracompor o júri. Os promotores acusam Hamdan, prestes a completar 40 anos,de ter ligação com a cúpula da Al Qaeda e de ter sido flagradoa caminho de uma zona de combate com dois mísseis terra-ardentro do seu carro, em novembro de 2001, no Afeganistão. Advogados dele dizem que Hamdan não era membro da Al Qaedae que só serviu como motorista e mecânico de Bin Laden porqueprecisava do salário de 200 dólares por mês. Ao juiz, o réu sedeclarou inocente. A seleção dos jurados ainda não foi concluída, e Allreddeterminou que sua identidade fique sob sigilo. Um possível jurado se disse "enraivecido" com atentadoscometidos pela Al Qaeda nos últimos anos, e outro afirmou estarpreocupado com a possibilidade de um terrorista ser soltograças a alguma tecnicalidade, pois então "poderia darmeia-volta e o veríamos atacando os Estados Unidos". Apesardisso, ele se declarou imparcial. O polêmico tribunal, criado pelo governo Bush especialmentepara julgar suspeitos mantidos na base naval, funciona numprédio com vista à baía de Guantánamo, no sudeste de Cuba. Críticos contestam a estrutura desse Judiciário paralelo, eadvogados dos presos dizem que muitas provas foram obtidascontra eles mediante tortura. Pouco antes do início do julgamento, a defesa teve umapequena vitória, quando o juiz Allred eliminou dos autosalgumas declarações dos réus a seus interrogadores. Os EUA mantêm atualmente cerca de 265 presos em Guantánamo.Desde a inauguração da prisão, em janeiro de 2002, só um casofoi resolvido, o do australiano David Hicks, que evitou serjulgado depois de ter admitido que prestou apoio material aoterrorismo. Entre outros detentos de Guantánamo estão Khalid SheikhMohammed, Ali Abdul Aziz Ali, Ramzi Binalshibh, Mustafa AhmedAl Hawsawi e Walid bin Attash, supostos mentores dos atentadosde 11 de setembro de 2001.

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