Começam depoimentos do primeiro julgamento de Guantánamo

O motorista deOsama bin Laden tinha tanta intimidade com a cúpula da Al Qaedaque sabia até qual seria o alvo do quarto avião sequestrado nosEUA em 11 de setembro de 2001, disse um promotor militar naterça-feira, durante o primeiro julgamento por crimes de guerrano tribunal da base naval de Guantánamo. Os advogados do iemenita Salim Ahmed Hamdan, preso há seteanos na base, dizem que ele era apenas um empregado do foragidolíder da Al Qaeda, mas nunca foi militante nem participou doplanejamento de qualquer atentado. Já o promotor Timothy Stone disse aos seis jurados -- todosoficiais militares -- que o réu sabia dos atentados de 2001 porter ouvido conversas de Bin Laden com seu adjunto, Ayman AlZawahiri. "Virtualmente ninguém sabia do alvo pretendido, mas oacusado sabia", disse Stone. Até hoje não se sabe para onde ossequestradores pretendiam desviar o vôo 93 da United Airlines,que acabou derrubado pelos próprios passageiros num campo daPensilvânia -- ou então abatido pelas autoridades, segundopersistentes rumores. Hamdan, que pode ser condenado à prisão perpétua, sedeclarou na segunda-feira inocente das acusações de conspiraçãoe apoio material ao terrorismo. Stone disse ao júri que Hamdan ganhou a confiança de BinLaden durante um período de experiência, entre 1996 e 98, e queo ajudou a fugir depois dos atentados de 1998 contra embaixadasdos EUA na África e depois do 11 de Setembro. "Ele atuava como guarda-costas e motorista, transportava eentregava armas, munições e mantimentos para a Al Qaeda",acusou o promotor. O advogado dele, Harry Schneider, disse que o réu perdeu ospais cedo e vagava pelas ruas, onde aprendeu a consertarcarros. "Não haverá provas de que o sr. Hamdan compartilhasse,acreditasse ou abraçasse o que quer que ouvisse, crençasradicais islâmicas, crenças extremistas muçulmanas", disse oadvogado. Ele disse ainda que a defesa convocaria para depor umdirigente da Al Qaeda que declararia que seu cliente "nãoestava capacitado para planejar ou executar, estava capacitadopara trocar pneus e filtros de óleo e para limpar carros." A promotoria não pretende ouvir líderes da Al Qaeda nesteprocesso, enquanto a defesa quer levar dois presos acusados departicipar diretamente do planejamento do 11 de Setembro. As duas primeiras testemunhas a deporem foram dois oficiaisque estiveram no Afeganistão nos primeiros dias da invasãonorte-americana, em 2001. Ambos comentaram a acusação de que, ao ser detido noAfeganistão, Hamdan levava em seu carro mísseis terra-ar, o quea defesa nega. Uma testemunha identificada como "major A" disse que nocarro havia mísseis, um manual para morteiros com a expressão"Al Qaeda" na capa, um livro de Bin Laden e um cartão do muláOmar, comandante da milícia Taliban, endereçado aos combatentesda Al Qaeda.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.