Comissão do Senado aprova hispânica para Supremo dos EUA

Decisão abre caminho para que Sonia Sotomayor seja a primeira juíza de origem latina na Suprema Corte

Associated Press e Efe,

28 de julho de 2009 | 13h30

A Comissão de Justiça do Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, 28, por 13 votos a favor e seis contra, a indicação de Sonia Sotomayor para uma vaga na Suprema Corte do país. A aprovação pela comissão deixa Sonia, que enfrentou quatro dias de sabatina sem cometer nenhuma gafe, a um passo apenas de tornar-se a primeira hispânica a integrar a máxima instância da justiça americana.

 

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Com a aprovação, a indicação será agora apreciada pelo plenário do Senado. A votação está prevista para a próxima semana. Antes do voto, e sem que causasse surpresas, tanto democratas quanto republicanos elogiaram durante duas horas a história de ascensão social de Sonia e sua trajetória jurídica de 17 anos, mas, seguindo a disciplina do partido, discordaram sobre sua confirmação no cargo. No geral, os republicanos se mostraram insatisfeitos com as explicações dadas pela juíza durante as audiências de confirmação entre 13 e 16 de julho.

 

Embora tenham elogiado a vida e obra de Sonia, nascida em um bairro pobre nova-iorquino e que estudou em importantes universidades, os republicanos temem que a juíza não conseguirá separar seus "preconceitos" ao emitir ditames. Jeff Sessions, o republicano de maior categoria no Comitê, e outros políticos do partido, como Chuck Grassley e Orrin Hatch, novamente se agarraram a uma polêmica frase de Sonia de 2001, na qual ela afirmou que uma "mulher latina sábia" tomaria melhores decisões do que um juiz branco privado dessas experiências.

 

Eles reiteraram que um juiz deve aplicar as leis e não realizar ativismo político, algo que temem ocorreria se Sonia for confirmada pelo Senado. Para Sessions, a "ideologia liberal e pró-governo" desqualifica Sonia, e seu testemunho durante as audiências "não teve a clareza nem contundência" para desfazer dúvidas sobre sua filosofia judicial. A exceção republicana foi Lindsey Graham, que lembrou a seus colegas que "os EUA mudaram para melhor" graças à nomeação de Sonia e que, ao rever seus 17 anos de experiência jurídica, não encontrou justificações para bloquear a confirmação.

 

Os democratas criticaram que, omitindo a trajetória "excepcional" da juíza, tenham se detido, como disse o senador Richard Durbin, em "três palavras de um discurso tirado de contexto". Destacaram que a juíza de ascendência porto-riquenha não só tem a experiência, integridade e temperamento necessários para assumir o cargo, mas esta será "fiel à lei" e à Constituição. "É um dia histórico para os Estados Unidos", disse o democrata Charles Schumer.

 

Os democratas, que a apoiam, contam com 60 das 100 cadeiras no Senado, o que praticamente garante que os republicanos não poderão mudar o resultado da votação. Se receber o aval do Senado, Sonia substituirá David Souter, um juiz considerado liberal, o que manterá a divisão ideológica da Suprema Corte americana, com cinco magistrados conservadores frente a quatro liberais.

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