Condenado nos EUA se diz muito gordo para injeção letal

Com execução marcada, preso afirma que carrasco terá dificuldade em achar suas veias e anestesiá-lo

Associated Press,

05 de agosto de 2008 | 20h11

Um presidiário cuja execução está marcada para o próximo mês de outubro alega que ele não pode ser executado com injeção letal por ser muito gordo. Segundo ele, os oficiais de Ohio responsáveis pelo cumprimento das sentença teriam dificuldades em encontrar suas veias e em anestesiá-lo adequadamente.   Os advogados de Richard Cooey argumentam em uma corte federal que o condenado já tinha veias frágeis na época em foi condenado, cinco anos atrás, e que o problema se agravou com o ganho de peso. Eles citam um documento redigido por uma enfermeira em 2003 que diz que Cooey tem veias finas e que os carrascos iriam precisar de mais tempo para executar a sentença.   Cooey mede 1,70 metro e pesa 121 quilos. Ele foi condenado à morte por estuprar e matar duas estudantes da Universidade de Akron em 1986. Em 2003, foi concedida a ele uma comutação da pena letal por um juiz federal. Mas no último mês de abril ele perdeu o direito de evitar a injeção letal depois que a Suprema Corte decidiu que ele havia perdido o prazo para entrar com um processo contra a sentença.   O uso que Cooey fez de Topamax, um tipo de medicação para epilepsia, pode ter criado resistência ao thiopental, droga usada para induzir os presos ao sono antes da administração de outros dois medicamentos letais, declarou o médico Mark Heath, contratado pelo Escritório de Defensoria Pública de Ohio, em documentos apresentados à corte.   Heath explica que o peso de Cooey, combinado com a potencial resistência à droga, aumenta o risco do condenado não ser anestesiado adequadamente. Essa é uma séria preocupação de Cooey, afirmou sua defensora pública, Kelly Culshaw Schneider.   "Todos os especialistas concordam que se o medicamento não funcionar, a execução será torturante", destaca Kelly. Ela disse que o Departamento de Reabilitação e Correção não indicou como eles podem contornar o problema das veias de Cooey.   A porta-voz do sistema penitenciário Andrea Carson disse na segunda-feira que ainda não tinha visto o processo e não poderia fazer comentários.   No ano passado, Andrea citou a obesidade do condenado Christopher Newton como uma das razões pela qual os oficiais da prisão tinha dificuldade em encontrar suas veias antes da execução, em 24 de maio.   Há dois anos, um assassino condenado, Jeffrey Lundgren, tentou argumentar sem sucesso que tinha um grande risco de sentir dor porque estava acima do peso e era diabético. Uma corte federal de apelação rejeitou as alegações de Lundgren, condenado por matar uma cinco membros de uma família em Ohio, e ele foi executado em outubro de 2006.

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