Confira os premiados com o Nobel por trabalhos em andamento

Instruções do fundador não eram claras sobre critérios de seleção e alguns líderes venceram por suas intenções

estadao.com.br,

09 de outubro de 2009 | 11h53

O presidente dos EUA, Barack Obama, foi declarado vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2009, em uma decisão surpreendente que pareceu ter o objetivo de encorajar suas iniciativas para reduzir as armas nucleares, amenizar as tensões com o mundo muçulmano, fortalecer a diplomacia e a cooperação em vez do unilateralismo e aumentar o papel dos EUA no combate à mudança climática. Analistas ficaram chocados com a escolha, considerada prematura porque Obama só está há nove meses no cargo e porque o prazo para indicar nomes para o prêmio expirou em 1º de fevereiro - só 12 dias depois de ele ter assumido a presidência americana.

 

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Ao justificar a premiação, a comissão do Nobel afirmou que era um reconhecimento por "seus extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia e a cooperação internacional entre os povos". "Apenas muito raramente uma pessoa conseguiu capturar a atenção mundial e dar esperança de um futuro melhor à sua população no mesmo nível que Obama", afirmou o presidente da comissão, Thorbjoern Jagland. Apesar disso, os EUA continuam mergulhados nas Guerras do Iraque e Afeganistão, o Congresso americano ainda tem de aprovar um lei reduzindo as emissões de carbono e houve pequena redução significante no estoques globais de armas nucleares desde que Obama assumiu.

 

O fundador do Prêmio Nobel, Alfred Nobel, deixou instruções vagas a respeito dos critérios de seleção para os escolhidos ao prêmio da Paz, mas o comitê geralmente seleciona candidatos cuja trajetória em busca da paz e democracia perdure por anos a fio. Veja alguns exemplos dos vencedores por propostas em andamento e o contexto no qual ganharam o Nobel da Paz.

 

Em 1993, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat assinaram o Acordo de Paz de Oslo na Casa Branca durante o primeiro governo de Bill Clinton. No ano seguinte, venceram o Nobel da Paz com Shimon Peres 

 

2009: Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, pelos esforços para fortalecer a diplomacia mundial e a cooperação entre as pessoas, especialmente por seus apelos por um mundo livre de armas nucleares desde tomou posse, em janeiro deste ano.

 

2000: Kim Dae-jung, ex-presidente da Coreia do Sul, foi premiado por sua política de aproximação com o regime norte-coreano durante sua Presidência. Sua política levou a uma distensão das relações entre as duas Coreias, com o estabelecimento de acordos comerciais e a permissão para o reencontro de famílias separadas entre o sul e o norte. O ponto alto dessa política foi a cúpula entre Kim Dae-jung e o líder norte-coreano, Kim Jong-il, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, em 2000.

 

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que Kim deu histórica contribuição para a paz ao tentar construir uma ponte entre as duas Coreias. "A declaração conjunta, assinada por Kim e seu colega norte-coreano, Kim Jong-il, é o melhor testamento para um brilhante futuro em toda a península."

 

1998: dois líderes políticos norte-irlandeses, o católico John Hume e o protestante David Trimble, por seus esforços na conclusão do acordo que pôs fim a três décadas de um sangrento conflito na Irlanda do Norte. Na exposição de motivos, os membros do conselho mencionaram o incansável trabalho de ambos na difícil missão de encontrar uma saída política para "o conflito étnico, religioso e social que tirou a vida de 3,6 mil pessoas". Destacaram a atuação do católico Hume, presidente do Partido Social-Democrata Trabalhista (o maior agrupamento político católico da Irlanda do Norte), apontando-o como o líder político de maior visão e consistência de todo o processo de pacificação do território.

 

Ressaltaram, por outro lado, a "grande coragem" do protestante Trimble, "que soube superar com rara habilidade" os momentos de crise na cúpula da agremiação que chefia, o Partido Unionista do Ulster (o maior da Irlanda do Norte).

 

1994: Shimon Peres, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat receberam o Nobel da Paz graças ao Acordo de Paz de Oslo, assinado na Casa Branca, em setembro de 1993 - que estipulava a implementação da autoadministração Palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza num período de cinco anos.

 

1990: Mikhail Gorbachev foi o líder da extinta União Soviética de 1985 até o seu colapso em 1991. Ele abandonou oficialmente a Doutrina Brejnev, ao admitir que a Europa de Leste adotasse regimes democráticos, se desejassem. Isto levou à corrente de revoluções de 1989, nos países de leste, levando ao fim do comunismo. Revoluções essas que se realizaram de forma pacífica, como na Alemanha, com a queda do muro de Berlim, sendo que houve exceção no caso da Romênia. Assim terminou a Guerra fria com os Estados Unidos.

 

1978: o então presidente egípcio Anwar al-Sadat falou perante o Knesset - liderado pelo primeiro-ministro israelense Menachem Begin - em agosto de 1977, em Jerusalém. A visita, feita a convite de Begin, foi uma tentativa de obter um acordo de paz permanente. Em 1978, os esforços de paz resultam no Acordo de Camp David, que disposições sobre como seria encaminhada a questão palestina (os palestinos reivindicavam a formação de um Estado próprio em áreas sobre as quais Israel exercia jurisdição) e sobre como seria negociado o tratado de paz entre os dois países.

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