Conflito no Cáucaso aumenta tensão em ex-nações soviéticas

Ucrânia afirma que pretente aumentar tarifas de aluguel de base militar russa em área demandada pela Rússia

REUTERS

27 de agosto de 2008 | 09h24

A Ucrânia afirmou nesta quarta-feira, 27, que deseja negociar novas tarifas pelo aluguel de uma base naval do mar Negro à Rússia, uma manobra que pode aprofundar as tensões em uma região já transtornada pelo conflito entre os russos e os georgianos. Como a Geórgia, a Ucrânia tem um presidente apoiado pelo Ocidente e que pretende integrar a Otan, se afastando da esfera de influência do Kremlin, e que possui muitos cidadãos de origem russa. A península ucraniana da Criméia, uma região tradicionalmente reivindicada pela Rússia, que abriga a frota russa do mar.   Veja também: Rússia envia navios de guerra à Geórgia Medvedev afirma que não buscou conflito   Bush critica Rússia por reconhecer separatistas Otan e UE condenam reconhecimento russo Entenda o conflito separatista na Geórgia   O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, ficou ao lado dos países ocidentais ao condenar a decisão russa, anunciada na terça-feira, de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia. "Lamentamos essa decisão. Para a Ucrânia isso é inaceitável e, portanto, não podemos dar apoio a essa posição", disse Yushchenko em uma entrevista concedida à Reuters. Segundo o presidente ucraniano, seu governo pretendia discutir com a Rússia o aumento do aluguel da base naval de Sevastopol, na região da Criméia. A base serve de quartel-general da frota russa no mar Negro. A Rússia disse que qualquer renegociação significaria o descumprimento de um acordo firmado entre os dois países em 1997 e pelo qual a base ficará alugada aos russos até 2017 por um valor de 98 milhões de dólares ao ano. "Vamos ver como isso se desenvolverá. Nós insistiremos a respeito das condições previstas no cronograma referente à presença da frota russa", disse Anatoly Nogovitsyn, vice-chefe do Estado-Maior da Rússia. Nogovitsyn acusou os países-membros da Otan de "alimentarem a tensão" no mar Negro, mas disse que a Rússia não pretendia intensificar sua presença militar ali. "Neste momento, há pessoas flexionando seus músculos, dando demonstrações de força. A nós cabe unicamente lamentar isso", afirmou. Um navio da Guarda Costeira dos EUA carregado com material de ajuda chegou à costa da Geórgia na quarta-feira, mas não ancorou em um porto patrulhado pelos russos. O Dallas deveria parar em Poti, onde soldados russos ainda controlam os postos de segurança após terem expulsado os georgianos dali em meio à guerra da Ossétia do Sul. Ao invés disso, a embarcação ancorou 80 quilômetros ao sul, em Batumi. O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, acusou os EUA de enviar armas para a Geórgia, acusação essa descrita pelo governo norte-americano como "ridícula". Enquanto a Marinha dos EUA enviava produtos de ajuda humanitária para a Geórgia, a Rússia disse que seus navios notavam "a concentração de forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na área do mar Negro" e que adotavam medidas para monitorar a atividade deles. O governo georgiano criticou o fato de o governo russo ter reconhecido a independência das duas regiões rebeldes da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia, e o presidente do país, Mikhail Saakashvili, conclamou o Ocidente a defender com firmeza as leis internacionais". A Rússia tentou, sem dúvida, desafiar abertamente a ordem mundial. Agora, cabe a todos nós fazer com a que a agressão russa retroceda. Se eles conseguirem se safar, não vão parar aqui. Ele também atacarão outros países da região", afirmou, em uma entrevista concedida à Reuters, Saakashvili. Os russos derrotaram com facilidade as forças georgianas em uma breve guerra travada em torno da Ossétia do Sul, neste mês, na primeira vez em que tropas da Rússia combateram fora de seu território desde o fim da União Soviética, em 1991. A crise deixou o Ocidente apreensivo e assustou outras ex-Repúblicas Soviética com grupos minoritários russos de tamanho considerável, entre os quais a Ucrânia e os países do Báltico.

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