Congressistas creem que enviarão reforma financeira a Obama antes de 4 de julho

Nova legislação imporá regras mais duras ao sistema financeiro para evitar crises como a de 2008

Efe,

21 Maio 2010 | 21h12

WASHINGTON- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu nesta sexta-feira, 21, com os principais mentores no Congresso da maior reforma financeira desde a Grande Depressão.

 

Os legisladores comunicaram o presidente que preveem enviar-lhe o texto final antes do recesso do próximo dia 4 de julho, feriado nacional da Independência.

 

A aprovação da reforma financeira, cujo objetivo é evitar outra crise econômica como a iniciada em 2008, é a segunda vitória política de Obama este ano, após a promulgação da reforma de saúde em março.

 

A versão da reforma aprovada na quinta à noite pelo Senado, com 59 votos a favor e 39 contra, tem de ser emendada com a aprovada pela Câmara de Representantes (Deputados) em dezembro do ano passado.

 

Ao sair da reunião com Obama, tanto o senador democrata Christopher Dodd, presidente do Comitê dos Bancos do Senado, como o legislador Barney Frank, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, expressaram confiança em que o texto final estaria pronto para a votação definitiva antes do feriado de 4 de julho.

 

"Tivemos uma reunião muito boa com o presidente... Não há uma grande diferença entre os dois projetos e temos que tomar o melhor dos dois, harmonizá-los... E apresentar o produto final", disse Dodd aos jornalistas.

Por sua vez, Frank considerou que o processo de harmonização não deveria levar "mais de um mês", e se aventurou a dizer que Obama "poderá assinar esta lei antes de sairmos de recesso para o dia 4 de julho".

 

Dodd assegurou que a versão do Senado incorpora "muitas ideias" oferecidas por democratas e republicanos "durante um processo que tomou muitos meses".

 

Ambos os legisladores rejeitaram as críticas feitas hoje pela Câmara de Comércio dos EUA, que afirmou que a reforma prejudicará a pequena empresa, restringirá o crédito e levará à eliminação de empregos.

 

Dodd replicou que o intolerável é a situação atual: a perda de 8,5 milhões de empregos e a execução hipotecária de milhões de lares por culpa "do que fizeram ou deixaram de fazer" as instituições bancárias do país.

 

A legislação do Senado impõe um mecanismo para que, em casos extremos, o governo possa liquidar grandes instituições financeiras que enfrentarem problemas de solvência; estabelece um conselho de reguladores para vigiar de perto os "riscos" e ameaças à economia, e estipula restrições ao mercado de derivados.

 

A regulação do mercado de derivados e a criação de uma nova agência de proteção aos consumidores de bens e serviços financeiros foram dois dos pontos de discórdia entre democratas e republicanos.

 

No processo de harmonização bicameral, os legisladores terão que aproximar posições em relação a assuntos como a autoridade do governo para intervir nas empresas insolventes.

 

A versão da Câmara de Representantes estabelece um fundo de US$ 150 bilhões de dólares, financiado pelas grandes empresas, para ajudar na dissolução de tais empresas. O objetivo é impedir mais resgates financeiros com fundos dos contribuintes.

 

Seus opositores temem que esse fundo seja utilizado para "resgatar" as empresas. Por outro lado, a versão do Senado impõe critérios para a liquidação da companhia, que seria financiada por uma espécie de "imposto" às grandes instituições financeiras.

 

Durante sua tradicional entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que a reforma contém fortes proteções para os consumidores.

 

"Muitas famílias neste país participam do sistema financeiro por meio de muitas das atividades que (esta agência) regularia, como os empréstimos para a compra de veículos ou de uma casa, e para obter cartões de crédito", explicou Gibbs.

 

"É justamente o tipo de proteções que o povo americano mais precisa", acrescentou.

 

Gibbs corroborou a ideia expressada pelos congressistas que "tanto eles como o presidente acreditam que podemos conseguir algo até o dia 4 de julho".

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