Congresso aprova fim da simulação de afogamento pela CIA

Maioria democrata garante votação para proibir técnica de interrogatório usada contra suspeitos de terrorismo

THOMAS FERRARO E RANDALL MIKKELSEN, REUTERS

14 de fevereiro de 2008 | 10h00

O Congresso dos Estados Unidosdesafiou na quarta-feira a ameaça de veto da Casa Branca eaprovou a proibição da simulação de afogamento e de outrastécnicas violentas nos interrogatórios da CIA. O Senado aprovou a medida por 51-45 votos, graças à maioriademocrata. O projeto, que contém outras providências para osetor de inteligência, já havia passado em dezembro na Câmara eagora será submetido à sanção presidencial. "Que não haja dúvida no mundo que esta grande nação nãotortura", disse o senador republicano Chuck Hagel, um dosautores do projeto. A simulação de afogamento (ou "waterboarding") é muitocondenada por entidades de direitos humanos e por outrospaíses, que vêem na prática uma forma ilegal de tortura. Mas Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, disse queassessores do presidente George W. Bush recomendaram um veto aoprojeto. "Partes dessa lei são inconsistentes com a condutaefetiva da coleta de inteligência", disse ele. O senador John McCain, favorito para receber a indicaçãorepublicana à Presidência, votou contra a nova lei deinteligência. Ele já havia sido o autor de projetos anteriorescontra a tortura. O trecho sobre os interrogatórios diz que a Agência Centralde Inteligência (CIA) deve adotar as limitações impostas peloManual de Campo do Exército dos EUA para o trato deprisioneiros. "Deixei muito claro que eu considero que a simulação deafogamento é tortura e é ilegal, mas não vou restringir a CIAapenas ao Manual de Campo do Exército", disse McCain antes davotação. Na semana passada, o diretor da CIA, Michael Hayden,admitiu ao Congresso que três suspeitos capturados após osatentados de 11 de setembro de 2001 haviam sido submetidos aochamado "waterboarding". As regras do Exército proíbem expressamente oito técnicasde interrogatórios, o que inclui a simulação de afogamento, anudez forçada, choques elétricos, intimidação com cães esimulação de execuções. De acordo com os autores do projeto, o manual militarautoriza a pressão psicológica, como induzir um preso a crerque sua confissão vai abreviar uma guerra.

Mais conteúdo sobre:
EUACIAafogamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.