Arquivo/AP
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Congresso dos EUA ficará sem membro da família Kennedy

Patrick Kennedy não tentará se reeleger; família ficará fora do Senado pela primeira vez em quase 50 anos

Efe,

12 de fevereiro de 2010 | 17h29

Pela primeira vez em quase meio século, o Congresso dos Estados Unidos não terá nenhum Kennedy, já que, depois da morte de Edward Kennedy, senador por Massachusetts, quem se despede da Casa é seu filho, o senador democrata de Rhode Island, Patrick Kennedy.

 

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Patrick, outro Kennedy de vida polêmica, viciado em drogas e álcool, mas capaz de converter seus defeitos em fortalezas, anunciou nesta sexta-feira, 12, que não pensa em tentar se reeleger nas próximas eleições de novembro.

 

A estrela Kennedy teve seu maior brilho com Edward Kennedy, que morreu recentemente, mas começou com seus dois irmãos, os assassinados John e Robert que, mesmo rapidamente, foram senadores por Massachusetts e Nova York, respectivamente.

 

Patrick Kennedy enfrentava uma dura contenda frente a seu rival republicano e decidiu não tentar se reeleger, depois de cumprir nove mandatos na Câmara de Representantes.

 

Seu anúncio chega menos de seis meses depois da morte de seu pai, algo que, segundo fontes, foi um fator determinante na sua decisão.

 

"Minha vida está tomando um novo rumo", disse o Kennedy em um vídeo divulgado na internet e que também será transmitido pela televisão.

 

Sua retirada acerta outro golpe no Partido Democrata, que já sofreu o primeiro abalo com a morte de Edward Kennedy em agosto devido a um câncer cerebral.

 

A irônica substituição de Edward pelo republicano Scott Brown acabou com a supermaioria democrata do Senado, que poderia ter tornado realidade muitas das políticas que Ted Kennedy compartilhava com o presidente Barack Obama.

 

O senador Kennedy, conhecido como "o leão do Senado", deixou uma marca inapagável na câmara alta, aonde chegou pelo primeira vez em 1962 para ocupar o assento de seu irmão, o presidente John F. Kennedy.

 

No vídeo, seu filho lamenta os tempos difíceis que a nação enfrenta pela grave crise econômica, mas lamenta ainda mais a perda de quem foi seu "mais prezado mentor e confidente" e sua "maior fonte de ânimo e fortaleza": seu pai.

 

Fontes democratas asseguram que, mais do que a possibilidade de perder o assento em novembro, quando se renovarão os 435 membros da Câmara de Representantes, a morte de Ted Kennedy foi determinante para a decisão de seu filho.

 

O próprio Patrick teve suas batalhas pessoais e políticas. Em 2006, bateu seu carro contra uma barreira próxima a Câmara, e poucos dias depois foi internado em uma clínica de reabilitação para se tratar de seu vício e de depressão.

 

Vários meses depois, Patrick teve de ser internado novamente, ainda que os altos e baixos não o tenham impedido de se reeleger duas vezes desde o incidente em 2006.

 

Segundo especialistas, o filho de Ted conseguiu ganhar as eleições porque converteu suas fraquezas pessoais com as drogas e o álcool em uma fonte de ativismo político, ao promover no Congresso o direito ao tratamento da saúde mental.

 

Em sua mensagem de vídeo, Patrick afirma que continuará lutando pelos que "sofrem de depressão, vícios, autismo, e desordem de estresse pós-traumático".

 

Especialistas como o analista Larry Sábato, diretor do Centro para Política da Universidade de Virgínia, afirmaram que os Kennedy "só estão tendo um descanso do serviço público, mas regressarão".

 

"É a família real dos Estados Unidos, é uma família muito grande, com muitos netos. Os Kennedy compreensivelmente estão queimados, mas estou seguro de que voltarão", acrescentou Sábato.

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