Congresso dos EUA não nomeia responsável por política da AL

Presidente Barack Obama terá que esperar até setembro, ao fim do recesso do Congresso, por nomeação

Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S. Paulo,

07 de agosto de 2009 | 21h09

O governo do presidente Barack Obama começou há quase sete meses e ainda terá que esperar até setembro para conseguir finalmente ter um responsável pela política da América Latina em um momento de crises em Honduras e entre colombianos e venezuelanos.

 

A nomeação de Arturo Valenzuela para o cargo de subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, que dá as diretrizes do governo para América Latina, ainda não foi votada no Senado dos Estados Unidos. Thomas Shannon, indicado para o posto de embaixador em Brasília, vive a mesma situação. Como o Congresso dos Estados Unidos entrou em recesso ontem, para voltar apenas em setembro, a nomeação dos dois poderá ser votada apenas quando os senadores retornarem ao trabalho. Assim, durante pelo menos três quartos do primeiro ano do governo Obama, não há um responsável pela América Latina. Segundo análise do Council of the Américas, "há uma frustração no Departamento de Estado" pela não aprovação de Valenzuela.

 

Esta falta de "um time" para lidar com as questões latino-americanas tem sido criticada por analistas e políticos dos dois lados. Com questões consideradas prioritárias, como as guerras no Iraque e no Afeganistão, o conflito entre israelenses e palestinos, além da Coreia do Norte e do Irã, a administração de Obama ficou praticamente órfã na área de América Latina. Na crise de Honduras, os americanos tiveram que encaminhar o problema para o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e para a Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

A estratégia para a resolução da crise em Honduras é criticada por políticos republicanos. Os senadores Jim DeMint e Richard Lugar ameaçam continuar colocando obstáculos à votação, conforme permite o regimento do Senado dos Estados Unidos, até que o Departamento de Estado esclareça a sua política para a crise hondurenha. Os republicanos argumentam que o presidente deposto, Manuel Zelaya, desrespeitou a Constituição e sua remoção não pode ser classificada como golpe de Estado. Em seu blog, DeMint afirma que Valenzuela apoiou "as táticas inconstitucionais de Zelaya". Já a administração de Obama classifica como golpe a derrubada do presidente.

 

No caso de Shannon, o problema é a tarifa imposta pelos EUA ao etanol brasileiro. O embaixador nomeado defende o fim desta tarifa, enquanto senadores republicanos afirmam que isso poderia prejudicar os produtores de milho dos Estados Unidos. O governo de Obama deixou claro que não alterará o valor.

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