Congresso questiona operação para chegar a traficantes mexicanos

Barack Obama, assim como o procurador-geral, Eric Holder, disseram publicamente que não autorizaram a operação

Efe,

16 de junho de 2011 | 01h09

WASHINGTON - A operação "Fast and Furious", na qual os Estados Unidos permitiu a entrada ilegal de armas no México para chegar aos cartéis de narcotraficantes, arriscou vidas inocentes e gerou mais violência no país vizinho, segundo um relatório apresentado na quarta-feira, 15, no Congresso americano.

O objetivo desta fracassada operação, na qual se perdeu o rastro de duas mil armas, era estabelecer uma conexão entre os testas-de-ferro que compram as armas nos EUA e os chefes dos cartéis de drogas no México.

"Infelizmente, a Agência de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo (ATF) nunca atingiu seu objetivo de desmantelar um cartel de droga. De fato, não esteve nem perto disso", afirma o documento.

Os republicanos Darrell Issa e Charles Grassley apresentaram o relatório em uma audiência do comitê de supervisão governamental da Câmara dos Representantes, da qual participaram familiares do agente Brian Terry, assassinado na fronteira em um ataque no qual foram apreendidas duas armas vinculadas à operação.

O relatório, o primeiro de outros com os quais se pretende estimular o Departamento de Justiça a esclarecer a operação, acusa a ATF de ter falhado com as medidas de segurança para rastrear as armas desta perigosa estratégia condenada ao fracasso.

A mãe do agente Terry falou durante a audiência, lembrando o telefonema que recebeu para ser comunicada da morte do filho, assim como seu primo, Robert Heyer, que declarou: "Não sei se podemos acreditar de verdade que não vai acontecer (outro assassinato). Essas armas estão aí fora".

Também participaram agentes de campo da ATF que se opuseram à operação como Olindo Casa, Peter Forcelli e John Dodson, que revelou no último mês de março em uma entrevista ao canal de televisão CBS que os agentes receberam a ordem de permitir a entrada de armas no México, sem o conhecimento das autoridades mexicanas.

O relatório acusa o chefe da ATF em Phoenix, David Voth, encarregado de coordenar a operação, de, apesar das advertências dos agentes de campo, ter decidido continuar, além de considerar que os "efeitos mortais" desta "irresponsável operação" poderiam ter sido evitados.

Os agentes contam que houve um momento de pânico quando a congressista democrata, Gabrielle Giffords, recebeu vários disparos em um ato público no último mês de janeiro, uma vez que temiam que a arma usada estivesse ligada à operação.

"Para surpresa dos agentes, prevenir a perda de vidas não era a principal preocupação", lamentou Issa, pedindo ao Departamento de Justiça que entregue os documentos solicitados pelo Congresso.

Por sua vez, Grassley lembrou que os vendedores legítimos de armas também advertiram à ATF em 2010 sobre o perigo de realizar operações encobertas fornecendo armas a contrabandistas.

O presidente Barack Obama, assim como o procurador-geral, Eric Holder, disseram publicamente que não autorizaram a operação.

Issa desafiou o procurador-geral assistente, Ronald Weich, ao lhe perguntar diretamente quem autorizou a operação, ao que um titubeante Weich disse não ter a resposta, acrescentando que o procurador-geral abriu uma investigação para apurar responsabilidades.

O congressista republicano Trey Growdy considerou que a operação não representa o trabalho da ATF, onde trabalhou durante 16 anos, enquanto o democrata Elijah Cummings projetou que as consequências da introdução dessas armas serão sentidas nos próximos anos.

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