Conheça o plano de Obama para a retirada do Iraque

Presidente diz que missão de combate deixa o país em agosto de 2010; 50 mil ficam como 'força de transição'

Reuters,

27 de fevereiro de 2009 | 13h56

Foto: Reuters       WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estipulou nesta sexta-feira, 27, uma data para a retirada de todas as tropas de combate norte-americanas do Iraque, uma medida crucial para encerrar a guerra que já dura seis anos. Confira alguns detalhes do plano e possíveis implicações:   Grupo permanece no país A missão norte-americana de combate no Iraque vai acabar no dia 31 de agosto de 2010, mas ainda vão permanecer no país de entre 35 mil e 50 mil militares, para treinar e equipar as forças iraquianas e proteger as equipes de reconstrução provincial, projetos internacionais e a equipe diplomática. Uma parte deste grupo, de tamanho não especificado, vai conduzir operações antiterrorismo por conta própria e em conjunto com as forças de segurança do Iraque.   Saída total em 2011 Os Estados Unidos assinaram um pacto de segurança com o Iraque, estabelecendo que o dia 31 de dezembro de 2011 é o prazo final para a retirada de todos os militares. Obama diz que continua sendo do interesse dos Estados Unidos reduzir o número de tropas a "zero" até esta data.   As autoridades disseram que o período de 19 meses estabelecido para a retirada total foi decidido depois de consultas com líderes militares norte-americanos e com o principal general dos Estados Unidos no Iraque, Raymond Odierno, que quer garantir que terá tropas suficientes para as eleições, que acontecem em dezembro, e para outros eventos importantes em 2009 e 2010.   Diplomacia A retirada deverá ser acompanhada de um grande esforço diplomático que envolverá potências regionais, embora as autoridades não mencionem especificamente o vizinho Irã. Líderes iraquianos serão estimulados a lidar com questões políticas que têm o potencial de reacender as disputas civis.   Vácuo de poder No último ano, muitos dos 140 mil soldados americanos no Iraque se transformaram em uma força considerada pacificadora ou até mesmo policial do que de combate. Em particular, os soldados afirmam que tem sido instrumentais no conflito entre soldados iraquianos ou policiais ligados ao governo xiita contra militantes curdos iraquianos peshmerga. As cidades nos arredores da fronteira o território autônomo do Curdistão são disputadas pelo governo central e pelos grupos militantes. Esses locais podem se tornar pontos de conflitos no futuro.   Alguns analistas apontam que as forças iraquianas e os curdos peshmerga tentarão preencher o vácuo de poder que a retirada americana promoverá em regiões como a rica em petróleo Kirkuk, desencadeado um conflito violento. Ainda existe ainda a questão sobre a possibilidade das forças de segurança locais erradicarem os focos de insurgência, como na cidade miscigenada de Mossul, ao norte, onde grupos islâmicos como a Al-Qaeda mantém homens armados.   Minorias Washington foi capaz de exercer influencia política sobre o governo xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki com sua massiva presença militar no país. Uma área em que os oficiais americanos focaram seus esforços foi em encorajar o governo a dar mais atenção às reclamações e preocupações dos grupos de minorias étnicas, como os muçulmanos sunitas que eram predominantes sob o comando de Saddam Hussein. Muitos políticos sunitas estão preocupados se Maliki, ou qualquer outro que estiver no poder do governo iraquiano em agosto de 2010, vai ignorar as demandas das comunidades menores. Isso poderia alavancar a ressurgência da violência sectária no país.   As forças iraquianas estarão prontas? O Iraque possui 600 mil policiais e soldados, que fizeram grandes progressos no último ano, segundo afirmam oficiais americanos. A eleição pacífica realizada em 31 de janeiro nas províncias, que aconteceu sem um único grande ataque terrorista no país, foi uma prova da capacidade militar iraquiana. Porém, as forças de segurança ainda contam com o apoio de comandantes americanos chamados de "possibilitadores de combate", como em logística, poder aéreo, com máquinas rápidas, inteligência e análise. É possível que os 50 mil soldados que permanecerão no país depois de agosto de 2010 cumpram alguns desses papéis no Exército e na polícia iraquiana até que eles sejam capazes de dar suporte para suas próprias operações.

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