Connecticut enterra mais vítimas de ataque; controle de armas avança

Enquanto enterravam mais vítimas do segundo massacre escolar mais letal na história dos EUA, na quinta-feira, os moradores de Newtown, em Connecticut, procuravam formas de pressionar os líderes nacionais a restringirem o acesso da população norte-americana a armas.

EDITH HONAN, Reuters

20 de dezembro de 2012 | 17h28

Seis vítimas - algumas com apenas 6 anos - foram enterradas na quinta-feira, seis dias depois de um rapaz de 20 anos entrar fortemente armado numa escola primária com um rifle de assalto, matando 26 pessoas - seis adultos e 20 crianças. O autor do massacre também morreu.

Centenas de pessoas lotaram a cerimônia fúnebre de Benjamin Wheeler, de 6 anos, na Igreja Episcopal Trinity, diante da qual duas fileiras de escoteiros se postavam com seus estandartes.

O massacre de Newtown reabriu o debate sobre o controle de armas, uma questão politicamente espinhosa nos EUA, onde há forte apoio ao direito de os cidadãos portarem armas.

O vice-presidente Joe Biden deve comandar na quinta-feira a primeira reunião de uma força-tarefa montada pelo presidente Barack Obama para preparar propostas que resultem na redução da violência armada.

Após a reunião na Casa Branca, o secretário de Justiça, Eric Holder, viaja a Newtown para se reunir com autoridades que investigam o massacre.

Na quarta-feira à noite, dezenas de moradores da cidade se reuniram numa biblioteca para discutir maneiras de influenciar o debate nacional. O senador Richard Blumenthal disse ao grupo que chegou a hora de uma "mudança sísmica" nas políticas dos EUA para as armas.

"Essa terrível tragédia mudou a América, de uma forma que ela está disposta a parar de disseminar a violência armada", disse Blumenthal.

Nesta semana, a influente Associação Nacional do Rifle, que tradicionalmente se opõe a qualquer tentativa de restringir o comércio de armas de fogo, disse estar disposta a contribuir com mudanças na legislação.

Parlamentares democratas favoráveis ao controle defenderam nesta semana que sejam votados rapidamente projetos que proíbem a venda de armas de assalto e de cartuchos de munição de alta capacidade. Eles esperam que a morte de crianças de 6 e 7 anos marque um ponto de inflexão na mentalidade do país e convença mais deputados e senadores a apoiarem as mudanças.

O autor do massacre, Adam Lanza, usou armas que haviam sido adquiridas legalmente e estavam registradas em nome da sua mãe, Nancy, a primeira vítima do ataque da sexta-feira.

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