Alex von Kleydorff / AP Photo
Alex von Kleydorff / AP Photo

Connecticut, onde tiroteio ocorreu, não exige permissão para posse de armas

Além disso, assim como em muitos outros estados dos EUA, não existe no estado um registro completo das armas em poder de civis

Efe e AFP,

15 de dezembro de 2012 | 10h07

O estado de Connecticut, onde nesta sexta-feira um tiroteio em uma escola na cidade de Newtown matou 27 pessoas, entre elas 20 crianças, não exige nenhum tipo de permissão oficial para a posse de rifles ou pistolas, e só requer que o dono seja maior de 21 anos.

Além disso, as leis estatais também não pedem nenhuma permissão especial para a compra de rifles ou escopetas, apenas para a aquisição de pistolas, e, como em muitos outros estados dos Estados Unidos, não existe em Connecticut um registro completo das armas em poder de civis.

A Segunda Emenda da Constituição dos EUA confere aos cidadãos do país o direito de possuir armas de fogo e a Suprema Corte americana sempre deliberou a favor da medida - diante de tentativas de Estados e cidades de limitá-la. Isso contribui para que os EUA sejam o país do mundo em que mais civis possuem armamento.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que entre 270 milhões e 300 milhões de armas de fogo estejam nas mãos dos americanos. Já o levantamento da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), que defende a Segunda Emenda, afirma que mais de 300 milhões de armas estejam nas mãos da população.

Pânico

 

Em seu primeiro mandato, Barack Obama manteve silêncio sobre a questão. Em setembro de 2008, antes de ser eleito, ele prometeu: "Não vou retirar suas armas". No ano seguinte, ele firmou uma lei que ampliou o direito de portar armas nos parques nacionais do país.

Segundo uma pesquisa Gallup realizada no fim de 2011, 73% dos americanos são contra a proibição das armas de fogo para cidadãos que não integrem forças de segurança ou não possuam autorização específica. A mesma sondagem mostrou que 26% dos cidadãos são favoráveis à proibição do acesso da população a armas de fogo, a menor porcentagem de opiniões contrárias a armamentos já registrada no país. Há 20 anos, 41% dos americanos eram a favor da restrição.

Crítica

"A única maneira de honrar essas crianças mortas é exigir uma regulamentação rígida para as armas, o livre acesso a cuidados psiquiátricos e o fim da violência como programas de política pública", tuitou o documentarista Michael Moore, autor do filme Tiros em Columbine, de 2002, em que o cineasta comprova a facilidade de ter acesso a armas nos EUA discutindo o massacre que deixou 13 mortos em uma escola do Colorado, três anos antes. Moore criticou ainda as declarações do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que afirmou que ontem não era o dia para se discutir uma regulamentação da posse de armas de fogo no país (mais informações nesta página). "Quando será o momento, então?", questionou o cineasta.

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