Conservador vence primária e atrapalha campanha republicana

Uma política ligada ao movimento conservador Tea Party derrotou na terça-feira o preferido da estrutura partidária na eleição primária do Partido Republicano para a vaga de senador pelo Estado do Delaware, o que pode prejudicar as chances do partido de reconquistar a maioria do Senado na eleição de novembro.

JOHN WHITESIDES, REUTERS

15 de setembro de 2010 | 09h50

A vitória de Christine O'Donnell sobre Michael Castle, deputado com nove mandatos, representa a mais expressiva em uma série de avanços do movimento Tea Party neste ano. Castle, um popular ex-governador, é um dos últimos republicanos moderados no Congresso.

Se tivesse sido indicado, provavelmente teria uma vitória muito tranquila na eleição parlamentar de 2 de novembro. A vitória de O'Donnell, que tem um apelo político mais restrito, dá ao Partido Democrata a esperança de vencer a disputa em Delaware e assim manter o controle do Senado.

Um candidato do Tea Party ficou no encalço da primeira colocada na apuração dos votos da primária republicana em New Hampshire, e um nome apoiado pelo grupo obteve uma folgada vitória na indicação ao governo de Nova York.

O Tea Party é um grupo conservador que prega a redução da participação do Estado na vida econômica dos EUA. O nome alude à chamada "festa do chá", uma revolta de norte-americanos na época do domínio colonial britânico, mas é lido também como sigla de "taxed already enough" ("já suficientemente tributados").

Nas últimas semanas, dirigentes nacionais e estaduais dos republicanos fizeram campanha por Castle, temendo que O'Donnell não obtenha amplo apoio para ser eleita senadora numa vaga que durante anos pertenceu ao democrata Joe Biden, hoje vice-presidente.

"O povo de Delaware falou. Chega da política de sempre", disse O'Donnell a seguidores após o resultado. "A causa é restaurar a América".

Castle é o oitavo candidato ao Senado apoiado pela cúpula republicana a perder a eleição primária neste ano, mas o resultado é visto como a maior demonstração de fúria contra o governo até agora, refletindo a insatisfação do eleitorado com a presidência de Barack Obama.

Paradoxalmente, no entanto, isso gera um problema para os republicanos.

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