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Coreia do Norte deu 'resposta desnecessária' à ONU, diz Hillary

Pyongyang expulsou inspetores de agência nuclear e prometeu reativar reatores após condenação por foguete

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 17h25

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira, 14, que a expulsão dos inspetores nucleares da Coreia do Norte é uma "resposta desnecessária" após a condenação "legítima" do Conselho de Segurança da ONU ao lançamento do foguete de Pyongyang. "Haverá oportunidade de discutirmos isso não só com nossos aliados, mas também eventualmente com a Coreia do Norte", acrescentou a chefe da diplomacia dos EUA.

 

A Coreia do Norte anunciou nesta terça que boicotará para sempre as negociações multilaterais sobre seu desarmamento e prometeu religar seu reator nuclear em retaliação a uma resolução do Conselho, aprovada na noite de segunda. Na tarde desta terça, a Coreia do Norte ordenou a partida imediata dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) do reator de Yongbyon.

  

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"Não há mais necessidade de conversações (sobre desarmamento nuclear) entre os seis países", anunciou o Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte, referindo-se às negociações multilaterais que também envolvem China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Rússia.

 

"Nós nunca mais tomaremos parte nestas conversas e não ficaremos vinculados a nenhum acordo alcançado por meio delas", diz o comunicado da chancelaria, divulgado em despacho da agência estatal de notícias do país. A nota acrescenta que a Coreia do Norte "irá reforçar por todos os meios a sua força de contenção nuclear" em resposta "às ameaças militares de forças hostis."

 

"Adotaremos as medidas necessárias para restaurar as instalações nucleares desmanteladas e reprocessar as barras de combustível usadas nos reatores experimentais", prossegue a nota. As barras de combustível nuclear são essenciais para o funcionamento dos reatores, mas podem ser adaptadas para carregar ogivas atômicas.

 

O governo norte-coreano qualificou a resolução da ONU como "hostil". A declaração veio à tona apenas algumas horas depois de os 15 integrantes do Conselho terem condenado por unanimidade o disparo do foguete por considerá-lo uma violação a resoluções da ONU e intensificado as sanções contra Pyongyang. A Coreia do Norte testou com sucesso sua primeira bomba nuclear em 2006. Sob um acordo alcançado em 2007 pelo grupo dos seis países, Pyongyang concordou em desmantelar o reator nuclear de Yongbyon, em troca de 1 milhão de toneladas de combustível e outras concessões. O desmantelamento começou em 2008.

 

'NADA A PERDER'

 

A Coreia do Norte afirma ter enviado ao espaço sideral, no último dia 5, um foguete transportando um satélite experimental de telecomunicações. Os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul acusaram Pyongyang de ter promovido um teste ilícito de tecnologia utilizável em mísseis balísticos intercontinentais.

 

"É uma situação muito séria. O Norte pensa que não tem mais nada a perder com esse impasse e continuará a construir o reator nuclear. Washington deveria ter mandado uma mensagem clara de que mudaria sua política para Pyongyang", disse o analista político Paik Hak-soon, que trabalha no think-tank Sejong Institute, em Seul.

 

Já o professor Kim Yong-hyun, da Universidade Dongguk, também em Seul, acredita que o Norte está "aumentando a aposta" para obter em troca o máximo de concessões dos EUA e da comunidade internacional. "Eles não voltarão às negociações, a não ser que sejam oferecidos incentivos ainda maiores", disse Kim.

 

A China, aliada do regime comunista, pediu à Coreia do Norte que permaneça nas conversações mantidas pelo grupo. "A China espera que todas as partes continuem a avançar as conversações dos seis países para banir de armas nucleares a Península Coreana", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu. Mesmo assim, a China apoiou a resolução do CS da ONU.

 

A Rússia, que também apoiou a resolução, condenou a decisão norte-coreana. O chanceler russo, Sergei Lavrov, instou a Coreia do Norte a retomar as conversações "com o objetivo de banir a península Coreana de armas nucleares e encontrar caminhos pacíficos e confiáveis para garantir a segurança de todos os Estados do nordeste da Ásia". Lavrov disse que a Rússia "deplorou" a atitude da Coreia do Norte.

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