Correa desafia Bush a enviar tropas à fronteira colombiana

O presidente do Equador, Rafael Correa,desafiou seu homólogo norte-americano, George W. Bush, a enviartropas para a fronteira entre Colômbia e Equador, onde Bogotáafirma haver infiltração de guerrilheiros marxistas, disse aimprensa local na sexta-feira. Essa fronteira foi o epicentro da crise andina deste mês,iniciada por uma ação militar colombiana contra um acampamentoda guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)em território equatoriano. Há suspeitas de que outros gruposilegais, inclusive de narcotraficantes, também atuem na região. "Traga, sr. Bush, os seus soldados, que sejam seus soldadosos que morram na fronteira sul colombiana. Vamos ver se oscidadãos dos Estados Unidos vão aceitar tremenda barbaridade",disse Correa numa cerimônia na noite de quinta-feira, relatadano dia seguinte pela imprensa equatoriana. "Se não, cale a boca e entenda o que está acontecendo naAmérica Latina", acrescentou o presidente esquerdista, que éfavorável à criação de uma força internacional para controlar afronteira do seu país com a Colômbia. Depois do incidente militar, o governo colombiano disse terapreendido computadores que supostamente revelam vínculos deCorrea com as Farc. Correa rejeitou a acusação e disse quealguns veículos internacionais de imprensa defendem interessesde Bogotá e Washington para que seu país enfrente diretamente aguerrilha, embora o Equador se declare neutro no conflitointerno colombiano. Não é a primeira vez que Correa faz declarações agressivascontra Bush. Em 2006, depois de seu aliado venezuelano HugoChávez chamar o presidente norte-americano de "diabo" durantediscurso na ONU, Correa disse que o diabo deveria se sentirofendido com comparação. O Equador chegou a suspender as relações diplomáticas com aColômbia e a enviar tropas à fronteira devido à violação do seuterritório na ação militar que matou o número 2 das Farc, RaúlReyes. Em apoio a Quito, a Venezuela fez o mesmo. A crise acabou sendo superada com apertos de mãos entre osenvolvidos durante uma reunião de cúpula na RepúblicaDominicana, mas Correa disse que ainda não há data para retomaras relações diplomáticas com Bogotá.

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