Corrida presidencial nos EUA pode aumentar riscos econômicos

Será que a corrida presidencial nosEstados Unidos pode ser ruim para a economia mundial? Essa é uma possibilidade a ser levada em conta, de acordocom alguns especialistas, que acreditam que um novo clima deisolacionismo norte-americano pode emergir do descontentamentodo eleitorado com as questões econômicas e a retórica que temsido produzida a partir delas. Da condenação do democrata John Edwards à "ganânciacorporativa" até os apelos do republicano Mike Huckabee, osanalistas dizem que a campanha para as eleições de novembroestá ganhando força com as incertezas que os norte-americanoscomuns cada vez mais enfrentam no mundo impessoal daglobalização. "A globalização tem tido um impacto significativo nootimismo geral sobre a economia e sobre a confiança no futuro.Ela está dando às pessoas a sensação de que sua rede desegurança está sendo rasgada", disse Norman Ornstein, analistapolítico do American Enterprise Institute, de orientação maisconservadora. O resultado tem sido uma longa lista de ansiedades noeleitorado, como o fechamento de empregos industriais, aestagnação da renda, a insatisfação com a assistência médica, aimigração ilegal e o perigo das importações chinesas. "Estamos hoje pagando o preço pela promoção excessiva daglobalização: o fato de aqueles que impulsionaram aglobalização em ambos os partidos não estarem dispostos aencarar os riscos e tomar medidas para mitigá-los", disse oPrêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. "Isso também é em parte uma consequência do fracasso daadministração Bush em trazer padrões regulatórios adequados emuma série de áreas." A piora na confiança dos norte-americanos pode resultar naredução do papel dos Estados Unidos no mercado global se oseleitores começarem a pedir mudanças no curso econômico, dizemanalistas. A Eurasia Group, firma de consultoria sediada em Nova York,colocou nesta segunda-feira a resistência norte-americana àglobalização como o maior risco político para os mercadosglobais em 2008 --superando Irã, Iraque e o terrorismo. A empresa, que avalia os riscos políticos para seusclientes, alertou que a retórica da campanha pode contribuirpara um aumento dramático do sentimento protecionista nosEstados Unidos caso ocorra uma grande recessão. "O que estamos vendo é que há um benefício (eleitoral) nofilão populista e neo-isolacionista", disse o presidente daEurasia, Ian Bremmer. "Vamos ver o tipo mais forte de populismo em pessoas comoJohn Edwards. Mas também vamos ter isso nas campanhas deHuckabee e de Ron Paul", acrescentou. Especialistas dizem que o descontentamento do eleitorado,sozinho, não deve forçar uma virada significativa para oprotecionismo. Mas ele pode diminuir a disposição dos políticoscom novos acordos comerciais. A campanha já teve vários discursos sobre os perigos docomércio feitos por democratas, incluindo Hillary Clinton, queprometeu revisar todos os pactos comerciais existentes. Mas Stiglitz avalia que os democratas provavelmentediminuiriam o descontentamento popular ao reconstruir o sistemade seguridade social com a reforma da saúde e outrasiniciativas. "Eu vejo o perigo na direita", comentou, explicando que umacontinuação das políticas conservadoras na economia podeaumentar ainda mais o descontentamento. "Se você continuar norumo definido pelo Bush, você vai ter uma reação." Ornstein concorda que uma deterioração dramática daeconomia pode aumentar as chances de uma virada aoprotecionismo. "Você pode ter o desenvolvimento de uma guerra comercial. Evocê pode ter países como a China ficando nervosos o bastantepara tomar medidas contra nós", disse.

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