Corte de ajuda dos EUA deve afetar economia paquistanesa

O Exército paquistanês disse na segunda-feira que suas operações não serão afetadas pela decisão norte-americana de suspender uma ajuda militar de 800 milhões de dólares ao país. Analistas dizem, no entanto, que a medida deve abalar as relações bilaterais e pode prejudicar a economia do Paquistão.

CHRIS ALLBRITTON E ZEESHAN HAIDER, REUTERS

11 de julho de 2011 | 20h41

O chefe de gabinete da Casa Branca, William Daley, confirmou a informação, revelada no domingo pelo jornal The New York Times, de que o governo Obama irá cortar um terço da sua ajuda de 2 bilhões de dólares para questões de segurança, como forma de demonstrar a insatisfação de Washington pelo fato de Islamabad ter reduzido a presença de instrutores militares norte-americanos e limitado a concessão de vistos para funcionários dos EUA, entre outros atritos bilaterais.

Os EUA oferecem centenas de milhões de dólares por ano ao Paquistão como forma de cobrir os gastos decorrentes da mobilização de 100 mil soldados paquistaneses na fronteira com o Afeganistão, para combater grupos militantes. O restante da verba abrange treinamento e equipamentos militares. O anúncio da Casa Branca contingencia 300 milhões de dólares dos reembolsos, e 500 milhões da ajuda propriamente dita.

"As operações (nas regiões) tribais não serão afetadas" pela retirada da ajuda norte-americana, disse o porta-voz militar paquistanês Athar Abbas. "Podemos conduzir nossas operações sem apoio externo."

Parte da assistência, disse ele, seria um reembolso por dinheiro já gasto em várias operações na fronteira com o Afeganistão, e não dinheiro para futuras operações. "Não acho que haverá nenhum impacto significativo decorrente disso", acrescentou.

Politicamente, no entanto, a retirada da ajuda será nociva para a relação bilateral, na opinião do general da reserva Mehmood Durrani, ex-embaixador do Paquistão em Washington.

A avaliação dele reflete a ideia, amplamente disseminada, que o Paquistão está lutando em uma guerra que interessa aos EUA. "Isso é algo pelo que (os EUA) têm de pagar, e se não pagarem é uma violação do acordo e uma violação da confiança", disse Durrani.

O porta-voz do Pentágono, coronel David Lapan, disse que os 800 milhões de dólares contingenciados poderão ser liberados caso o Paquistão aumente o número de vistos para funcionários dos EUA e retome as missões de instrução militar.

Também na segunda-feira, a secretária de Estado Hillary Clinton disse que o corte na ajuda não indica "uma mudança na política" bilateral, e sim uma necessidade de maior cooperação por parte do Paquistão em assuntos de segurança.

A aliança EUA-Paquistão vive um momento de crise desde o ano passado, a qual se agravou depois do assassinato de dois paquistaneses por um agente a serviço da CIA, em janeiro, e da ação militar norte-americana que resultou na morte do militante Osama bin Laden em território paquistanês, em maio.

(Reportagem adicional de Sahar Ahmed)

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