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Corte dos EUA suspende extradição de ex-agente nazista

Policiais prenderam John Demjankuk em Ohio, para julgamento na Alemanha pela morte de 29 mil judeus

Reuters,

14 de abril de 2009 | 17h57

Agentes norte-americanos detiveram nesta terça-feira, 14, o ex-agente nazista John Demjankuk em sua casa, no Estado de Ohio, para que ele fosse deportado e julgado na Alemanha pela morte de 29 mil judeus, mas um tribunal suspendeu a deportação até a avaliação de um recurso. Demjanjuk, 89 anos, que segundo sua família tem a saúde frágil, foi retirado de casa em uma cadeira de rodas e é acusado por promotores de Munique de envolvimento com as mortes de 1943 no campo de extermínio de Sobibor (território polonês então sob ocupação nazista).

Esse ucraniano já foi sentenciado à morte em Israel em 1988, quando foi identificado como o sádico guarda "Ivã, o Terrível", do campo de Treblinka, onde 870 mil pessoas morreram. Posteriormente, a Justiça israelense definiu que ele provavelmente não era "Ivã", mas autoridades dos EUA mais tarde cassaram sua cidadania norte-americana, afirmando que ele havia trabalhado em três outros campos e sonegara tal informação ao emigrar para os EUA, em 1951.

Demjankuk deveria ter sido extraditado no último dia 5, mas conseguiu uma liminar de última hora, alegando que, por ter problemas de coluna, insuficiência renal e anemia, estaria fraco demais para viajar. Seu filho diz que enviá-lo à Alemanha, sem condições de ficar de pé sozinho, é uma forma de tortura.

Ex-funcionário da indústria automobilística, Demjankuk sempre negou qualquer ligação com o Holocausto. Diz que foi convocado para o Exército soviético em 1941, tornou-se prisioneiro de guerra alemão um ano depois e por isso foi obrigado a servir em campos de extermínio nazistas até 1944.

Ele já havia perdido a cidadania norte-americana uma vez, em 1981, quando foi extraditado para Israel. Depois de inocentado, em 1993, voltou para sua casa, nos arredores de Denver, e em 1998 reconquistou a cidadania.

Mas o documento foi novamente suspenso em 2002, quando o Departamento de Justiça concluiu que ele trabalhara em outros campos. A deportação foi definida em 2006, mas ele continua nos EUA graças a recursos judiciais e à falta de outros países que queiram recebê-lo.

No ano passado, o investigador-chefe de crimes nazistas na Alemanha, Kurt Schrimm, pediu a promotores de Munique, onde Demjankuk viveu antes de emigrar para os EUA, que o indiciassem pela morte de 29 mil judeus. Schrimm disse ter provas de que Demjankuk foi guarda em Sobibor e levou pessoalmente judeus para câmaras de gás. Em março, promotores de Munique pediram a deportação dele.

Seu filho, John Demjankuk Jr., disse recentemente: "Diante da quantidade de sofrimento e mortes provocada pela Alemanha nazista, parece inconcebível que os alemães, que quase mataram meu pai em combate e posteriormente como prisioneiro de guerra, agora queiram apanhá-lo, tão velho e fraco que não consegue cuidar de si próprio."

 

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