Crescem temores de maior sentimento antimuçulmano nos EUA

Em meio a ameaças de queimar o Alcorão e um acirrado debate sobre os planos de se construir um centro cultural muçulmano em Nova York, líderes muçulmanos e ativistas de direitos humanos alertam para a crescente onda de sentimentos antimuçulmanos nos EUA, provocados, em parte, por motivos políticos.

MARK EGAN, REUTERS

12 de setembro de 2010 | 18h26

"Muitas pessoas agora tratam os muçulmanos como "os outros" -- como algo para se caluniar e discriminar", disse Daniel Mach, do American Civil Liberties Union (sindicato das liberdades civis dos EUA).

Ele disse também que algumas pessoas têm explorado esse medo nos meios de comunicação, "para conseguir ganhos políticos ou ir atrás da fama instantânea."

O imã que lidera o projeto da construção do centro cultural, que inclui uma sala de oração, perto do local dos ataques de 11 de setembro de 2001, disse que houve um aumento do que ele chamou de "islã-fobia" e que o debate foi radicalizado por extremistas.

"Os radicais nos EUA e os radicais do mundo islâmico se alimentam uns dos outros. E, até certo ponto, a atenção que eles têm recebido dos meios de comunicação aumentou ainda mais o problema", disse o imã Feisal Abdul Rauf, durante uma entrevista ao noticiário ABC news, no domingo.

Rauf disse que ele queria corrigir uma impressão equivocada que os muçulmanos nos EUA estavam sendo pressionados e não podiam mais praticar a sua religião livremente.

"Isso não é verdade. O fato é que estamos praticando a nossa religião. Nós rezamos, jejuamos, fazemos nossas orações... As leis nos protegem. Nosso sistema político nos protege. E nós usufruímos dessa liberdade nesse país. E o mundo muçulmano precisa reconhecer isso", disse.

Ele diz que o centro cultural em Nova York, a poucas quadras de onde era o World Trade Center, tem o objetivo de unir, mas os críticos dizem que é uma falta de sensibilidade com as vítimas dos ataques de 11 de Setembro.

A cobertura dos meios de comunicação mundiais atingiu o seu auge nesse final de semana, quando um desconhecido pastor da Florida ameaçou queimar o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, no dia 11 de setembro, para relembrar os ataques de 2001. Mais tarde ele desistiu de fazê-lo.

O presidente Barack Obama tentou diminuir os sinais de um sentimento antimuçulmano e pediu tolerância religiosa, um elemento importante da democracia norte-americana.

Apesar da guerra no Afeganistão e da campanha contra extremistas islâmicos como a Al Qaeda, Obama enfatizou que os EUA não estão em guerra com o Islã.

"Temos que nos certificar que não vamos nos agredir mutuamente", disse ele em entrevista coletiva. "E eu farei tudo que puder, enquanto for presidente, para lembrar ao povo americano que somos uma nação, sob o comando de Deus. Podemos chamar esse Deus de diversas maneiras, mas continuamos sendo uma nação."

Alguns especialistas dizem que o democrata pode aprender com seu antecessor, o ex-presidente George W. Bush, a quem eles dão o crédito de ter melhorado as atitudes dos EUA em relação aos muçulmanos, depois dos ataques de 2001.

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