Crescimento americano será menor, diz Nobel de Economia

De acordo com Michael Spence, governo Obama terá dificuldades políticas por causa disso nos próximos anos

Patrícia Campos Mello, correspondente de O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2010 | 19h29

Os Estados Unidos ainda vão enfrentar alguns anos de crescimento baixo e desemprego alto e o governo Obama terá dificuldades políticas por causa disso. Esse é o alerta de Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia em 2001.  

Veja também:

linkEconomia: Recuperação após crise não é consenso

especial Especial: Dez momentos do primeiro ano de Obama

"Teremos alguma melhora neste ano, porque estamos vindo de um nível muito baixo, mas daqui para frente teremos um crescimento bem mais baixo que os patamares anteriores à crise. Neste cenário, reduzir o desemprego será difícil e levará muito tempo", diz Spence, professor emérito da Universidade Stanford e presidente da Comissão de Crescimento e Desenvolvimento. Abaixo, trechos da entrevista que ele concedeu ao Estado.

O sr. fala sobre um novo patamar, com crescimentos mais baixos ao redor do mundo depois da crise financeira. O que podemos esperar dos Estados Unidos neste ano?

Teremos alguma melhora neste ano, porque estamos vindo de um nível muito baixo, mas daqui para frente teremos um crescimento bem mais baixo que os patamares registrados antes da crise. Neste cenário, reduzir o desemprego será difícil e vai levar muito tempo. Esse novo patamar deve durar de 5 a 10 anos, até que nós consigamos reestruturar a economia, reduzir o déficit e acabar com o endividamento. Aí podemos voltar para taxas razoáveis de crescimento. Mas enquanto isso, o baixo crescimento complica tudo - torna mais difícil manter o déficit sob controle e também atrapalha a redução do desemprego.

Se o alto nível de desemprego persistir por algum tempo, isso vai dificultar a agenda política do governo Obama?

Claramente. Será um ano muito difícil do ponto de vista legislativo. As pessoas estão muito nervosas com a crise e a recessão, estão com raiva do setor financeiro porque se recuperou rapidamente e os bancos estão agora distribuindo bônus altos. Será um ano difícil politicamente, difícil para aprovar reformas.

 

Quando o governo americano deve adotar medidas mais enérgicas de redução do déficit, que já chega a 13% do PIB, sem correr o risco de abortar a recuperação da economia?

Daqui a pouco. Existem dois pontos importantes: iniciar ainda neste ano o processo de assumir o controle sobre os déficits e assegurar os mercados financeiros e investidores estrangeiros sobre a sustentabilidade fiscal, e para isso precisamos de um plano bem articulado para recuperar o equilíbrio orçamentário.

 

Falta de regulamentação foi um dos problemas que deu origem à crise. É necessária uma maior regulação?

Não obrigatoriamente. As instituições financeiras devem ser permitidas a fazer empréstimos, mas também securitização simples, desde que regulada de forma apropriada. Acho essencial restringir o tamanho e endividamento das maiores instituições financeiras.

Quão preocupado o sr. está em relação ao enorme déficit dos EUA?

 

Não é um problema sem solução. Mas é preocupante, porque déficits que persistem por muito tempo resultam em aumento de juros, aumento do custo da dívida e isso vira um círculo vicioso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.