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Crítica à política carcerária é comum a rivais

BALTIMORE - A democrata Hillary Clinton e o republicano Rand Paul estão em lados opostos no espectro político americano, mas ambos são críticos da política que levou os Estados Unidos a terem o maior índice de encarceramento entre as nações industrializadas, com milhares de pessoas atrás das grades por crimes não violentos. 

Cláudia Trevisan, Enviada Especial

10 de maio de 2015 | 03h00

Jovens negros como Freddie Gray são representados de maneira desproporcional nessa estatística, que explodiu nos últimos 30 anos em razão da guerra às drogas.

“Há alguma coisa errada quando um terço de todos os homens negros enfrenta o prospecto de ser preso durante suas vidas”, declarou Hillary dois dias depois de violentos protestos contra a morte de Gray terem se espalhado pelas ruas de Baltimore, a 60km de Washington. “Sem o encarceramento em massa que nós praticamos atualmente, milhões de pessoas não estariam vivendo na pobreza”, ressaltou a pré-candidata democrata à presidência, em discurso proferido na Universidade Columbia, em Nova York, no dia 29.


A ironia é que muitas das políticas que levaram ao aumento da população carcerária nos Estados Unidos foram adotadas durante o governo de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. 

Paul, que busca a nomeação do Partido Republicano para a disputa de 2016, afirmou que sua potencial adversária apoiou no passado as práticas que levaram ao aumento recorde do número de pessoas atrás das grades no país. 

Os Estados Unidos têm 5% dos habitantes do mundo, mas respondem por 25% dos prisioneiros. Nos últimos 30 anos, o universo dos que estão confinados aumentou em 500%, segundo a entidade The Sentencing Project, que defende a reforma do sistema criminal americano. 

Do lado de fora das penitenciárias, os negros representam 13% da população. Dentro, são a maior parcela, com 36,5% do total. No fim de 2013, havia 1,32 milhão de pessoas nas prisões estaduais e 195 mil nas federais dos EUA. Outras 700 mil aguardavam julgamento nas cadeias municipais.

Maioridade penal. Enquanto o Brasil discute a redução da maioridade penal, os Estados Unidos debatem a reforma de leis com o objetivo de reduzir o encarceramento juvenil. Senador pelo Kentucky, Paul é um dos principais defensores das mudanças dentro do Partido Republicano.

“Acho que é um problema prender pessoas por 10, 15 ou 20 anos por erros da juventude”, disse Paul em discurso durante uma convenção republicana em Iowa no ano passado. Em sua opinião, questões raciais e econômicas influenciam a maneira pela qual a Justiça é administrada. “Se você olhar para a guerra às drogas, três em cada quatro pessoas colocadas na prisão são negros ou de pele marrom”, disse o republicano.

Segundo Paul, estudos indicam que jovens brancos consomem tantas drogas quanto os negros, mas conseguem evitar a prisão com mais frequência, por terem mais acesso a bons advogados e índices de pobreza proporcionalmente menores.

Disparidade. 36,5% do total de presos nas cadeias americanas é de negros, que são apenas 13% da população dos EUA 

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