Cuba deve dar 'próximo passo' com EUA, diz Hillary Clinton

Para secretária de Estado, fim das restrições para viagens foi 'muito importante' e deve haver 'reciprocidade'

Agências internacionais,

16 de abril de 2009 | 18h14

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira, 16, que Cuba deve dar o próximo passo para melhorar as relações com a nova administração dos Estados Unidos. A chefe da diplomacia de Washington afirmou que o fim das restrições para viagens a Cuba, anunciado pelo presidente Barack Obama nesta semana, foi um passo "muito importante". Agora, ela disse que o governo de Raúl Castro deve mostrar "reciprocidade."

 

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Hillary acrescentou que os EUA estão esperando para discutir questões adicionais, mas primeiro gostaria de ver Cuba soltando prisioneiros políticos e levantando restrições à mídia. A secretária de Estado fez os comentários durante uma parada no Haiti, rumo à Cúpula das Américas, para a qual Cuba não foi convidada.

 

O governo cubano não fez nenhuma declaração imediata sobre a declaração de Hillary. Mais cedo, o ex-presidente Fidel Castro elogiou comandantes militares nos Estados Unidos que pediram a Obama para eliminar a proibição de viajar a Cuba para todos os americanos, e não só para os que têm família na ilha, como anunciado na segunda-feira.

 

Em um novo artigo das Reflexões, Fidel cita uma carta enviada a Obama pelos militares, na qual argumentam que o embargo comercial e financeiro que Washington aplica a Cuba desde 1962 não serve aos propósitos políticos e de segurança de Washington. "Eles não acham que Cuba seja uma ameaça à segurança dos Estados Unidos, como tentaram nos apresentar diante da opinião pública americana", afirma.

 

"Foram os governos desse país que transformaram a base de Guantánamo em refúgio de contrarrevolucionários ou emigrantes. Pior que tudo isso, transformaram-na em um centro de torturas que a tornaram famosa como símbolo da negação mais brutal dos direitos humanos."

 

O ex-líder cubano, de 82 anos, afirma que "as cartas influem e têm peso na política dos Estados Unidos, já que não se trata, neste caso (Obama), de um político corrupto, mentiroso e ignorante como seu antecessor (George W. Bush), que odiava os avanços sociais do New Deal". "Não tememos dialogar, não precisamos inventar inimigos, não tememos o debate de ideias", acrescenta Fidel, que não aparece em público desde julho de 2006, mas publica frequentes Reflexões, reproduzidas pela imprensa cubana.

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