Cuba e EUA se reúnem para tratar de migração

Autoridades de alto escalão dos governos dos Estados Unidos e de Cuba se reuniram em Havana nesta quinta-feira para analisar antigos acordos migratórios, no mais recente sinal de um novo espírito de colaboração entre os inimigos da Guerra Fria.

Reuters

09 de janeiro de 2014 | 17h47

As conversações sobre migração são o contato público de mais alto nível entre os dois governos, que não mantêm relações diplomáticas, e os encontros recentes têm sido cada vez mais construtivos, disseram autoridades.

A delegação dos EUA foi comandada pelo vice-secretário adjunto interino da Secretaria de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Edward Alex Lee. Não houve confirmação imediata da parte de Cuba sobre quem chefiava sua representação no encontro.

Foi a segunda reunião com essa finalidade desde julho de 2013. Nos acordos assinados em 1994 e 1995, os dois governos se comprometeram a promover a migração ordeira, legal e segura entre Cuba e os Estados Unidos e a se reunirem a cada seis meses para analisar o assunto.

Nos últimos cinquenta anos, milhares de cubanos morreram tentando cruzar o traiçoeiro Estreito da Flórida em barcos precários e jangadas feitas por eles mesmos.

Atualmente, os EUA aceitam a entrada anual de 20.000 cubanos, como imigrantes legais, e também acolhem aqueles que conseguem chegar às suas costas. Mas nos termos da política norte-americana, conhecida como "pés molhados, pés secos", o país extradita os cubanos recolhidos no mar.

As autoridades de imigração dos EUA informaram que 13.000 cubanos cruzaram a fronteira mexicana e foram aceitos como residentes em 2013, com outros milhares que visitaram o país e decidiram permanecer.

Os EUA emitiram 24.727 vistos de imigração para cubanos no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2013, enquanto no ano anterior foram 26.720. Já o número de vistos de visitante mais do que dobrou, passando de 14.362 em 2012 para 29.927 em 2013.

Os dois governos também mantiveram nos últimos meses conversações sobre a retomada do serviço postal direto, coordenação na contenção de desastres marítimos - como derramamento de óleo - e colaboram regularmente na interdição do tráfico de drogas.

O Departamento de Estado dos EUA e autoridades cubanas disseram à Reuters que os contatos recentes foram cordiais, com pouco da costumeira retórica de ambos os lados, como simbolizado pelo aperto de mãos entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente cubano, Raúl Castro, na África do Sul, em dezembro.

Funcionários dos EUA e de Cuba superaram uma série de incidentes potencialmente divisionistas no ano passado por meio de demonstrações mútuas de pragmatismo raramente visto desde a revolução socialista cubana, de 1959, que levou Fidel Castro ao poder.

(Reportagem de Marc Frank)

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