Cúpula americana se enfurece com declarações de McChrystal em artigo

Emprego do general está ameaçado, mas Casa Branca não diz se ele será demitido ou não

estadão.com.br

22 de junho de 2010 | 15h47

WASHINGTON - As polêmicas declarações do general Stanley McChrystal, comandante das forças dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, criticando o governo americano em um artigo da revista Rolling Stone deixou altos funcionários da Casa Branca enfurecidos, principalmente o presidente Barack Obama, um dos alvos dos ataques.

 

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Obama, segundo seu porta-voz, Robert Gibbs, ficou muito aborrecido com as críticas de McChrystal. Segundo Gibbs, a Casa Branca não desconsidera a demissão do general, mas que nada está definido ainda e mais informações serão dadas quando ele conversar com o presidente na quarta-feira.

 

Segundo o governo, McChrystal cometeu um "enorme erro" ao dirigir duras e abertas críticas à administração no artigo que seria publicado na revista Rolling Stone do meio de julho. Em um dos comentários, o general disse que Obama não deu a atenção devida durante um das primeiras reuniões entre os dois. Questionado sobre a declaração, Gibbs disse que, na quarta, "ele terá toda a atenção que desejar".

 

O secretário de Defesa, Robert Gates, também mostrou-se furioso com a postura de McChrystal. "Eu li o texto da revista sobre o general. Acredito que ele tenha cometido um grande erro nesse caso", disse Gates por meio de comunicado, acrescentando que McChrystal se retratou com ele e que faria o mesmo com todos citados no artigo, mas que o assunto deveria ser "discutido pessoalmente".

 

O chefe de Estado Maior dos EUA, o almirante Mike Mullen, a maior autoridade militar do país, se disse "profundamente decepcionado" pelas críticas dirigidas à Casa Branca. "O chefe de Estado Maior falou com o general McChrystal na noite da segunda-feira sobre a artigo e expressou sua profunda decepção pelos comentários presentes no texto", disse o porta-voz de Mullen, o capitão John Kirby.

 

David Obbey, chefe do Comitê de Apropriações do Congresso americano, órgão que supervisiona os gastos das guerras em que os EUA se envolvem, foi mais longe e pediu a saída de McChrystal do comando das operações no Afeganistão. "Se ele disse de verdade metade do que está sendo dito, não deveria estar na posição em que está", disse.

 

Três senadores também se voltaram contra McChrystal e o condenaram. Os republicanos John McCain e Lindsey Grajam e o idnependente Joe Lieberman disseram, por meio de comunicado, que "os comentários do general divulgados pela Rolling Stone são inapropriados e contraditórios com a relação tradicional entre um comandante em chefe e o Exército".

 

McChrystal foi convocado para esclarecer suas declarações na quarta-feira, em uma reunião com Obama e a cúpula do governo. O general já emitiu um comunicado se retratando pelo ocorrido, dizendo que "foi um erro que nunca deveria ter acontecido". A divulgação do artigo já causou a renúncia de um de seus principais assessores.

 

(Com informações das agências Reuters, AP e AFP)

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